Igrejas evangélicas, inclusive

Estou cansado da comunidade Cristã

2020.10.20 13:56 Centurionzo Estou cansado da comunidade Cristã

Sei que não é todo mundo, mas já não aguento várias pessoas negando coisas como isolamento social, aquecimento global e outros, aquele caso do aborto da menina, a perseguição contra outras religiões e eles usando cristofobia, o insulto à homossexuais e alto envolvimento na política, está difícil, inclusive a Igreja Católica com diversos escândalos de pedofilia que quase nunca são resolvidos e a lavagem de dinheiro que as Igrejas evangélicas fazem
Eu ainda acredito em Deus (embora eu não gostei do OT) e gosto de Jesus Cristo, mas honestamente não gosto da religião, a única parte que gosto seriam os Jesuítas, mas honestamente não seria ruim se a religião perdesse poder, essa epidemia práticamente mostrou o tão ruim líderes religiosos, especialmente os Evangélicos são para a nosso sociedade
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2020.08.30 18:31 JulioEduca Quem tem moral para postular a verdade: religião ou ciência?

“Os Donos da Verdade” por Julio Stéphano https://link.medium.com/1eBe7Lfpn9
Os Donos da Verdade
Quem tem moral para postular a verdade: religião ou ciência?
Segundo aprende-se na escola, a Modernidade opera uma ruptura com o Catolicismo e permite a explosão do Cristianismo em incontáveis denominações, suas crenças e práticas, com os chamados movimentos de Reforma Protestante. Posteriormente, o século XIX – materialista, pós-revolucionário e Imperialista, fortaleceu o cientificismo, ao preço de inebriar-se com a soberba do progresso civilizatório capitalista. Por um lado, a lógica vigente do discurso religioso, então, não mais respondia às mentalidades que compunham o corpo social que pretendiam abarcar. Por outro, contudo, justificou e patrocinou o massacre de incontáveis povos mundo afora ao longo dos últimos séculos. Evidente que tal embate reflete, principalmente, as dinâmicas sociais vividas, naquele momento, no âmbito do mundo Europeu.
Assim, no arrasto do que se deu naquele espaço de disputa de ideias, e como consequência histórica dos eventos não só daquele século XIX, mas também do seguinte. O discurso científico se hegemonizou como espaço de autoridade da “verdade científica”, com suas metodologias, sistematizações, metrificações e comprovações. No âmbito das dinâmicas sociais planetárias, com o expansionismo Europeu, cada vez mais, as contradições do sistema se deslocam para seus espaços de periferia e/ou de invisibilidade. E foi nas periferias da cultura hegemônica globalizada, como a América Latina e o Brasil, que as seitas fundamentalistas cristãs lograram esse gigantismo que hoje assusta pela força que tem para impor suas ideias e implementar seu projeto de sociedade e país. Vivemos hoje a ressurgência da força de um discurso religioso sectarista, intolerante e violento.
Se, na virada dos anos 1980/90, alguém sugerisse que em 20 ou 30 anos veríamos, no Brasil, a expansão política e ideológica de fundamentalistas religiosos, provavelmente essa pessoa não seria levada a sério. Daquele tempo para cá, os discursos evangélicos passaram a dominar uma parte considerável da programação de TVs abertas e rádios; se expandiram pela política formando quadros e estruturas de articulação; além de sua notável expansão territorial propriamente dita. Em 2020, o conjunto das vertentes políticas ligadas às estruturas das igrejas evangélicas formam uma bancada parlamentar tão capilarizada que possui representantes em qualquer casa legislativa do país; contam com o comando direto de diversas prefeituras; e uma influência eleitoral tão consistente que foi determinante na última eleição para presidente e para governos de estado.
A despeito dos inúmeros políticos de base eleitoral evangélica cuja biografia questionável nos faria refletir sobre a pertinência de tamanho poder dado a quem se elege com o lobby das igrejas, é fato incontestável que o apoio da igreja evangélica foi base de quase todos os governos federais pós redemocratização. Se incluído o cristianismo católico, o Brasil nunca soube o que é viver sem a sombra de um doutrina religiosa eurocêntrica e intimamente ligada ao poder político e aos interesses econômicos. Lembre-se que o vice presidente de Lula era de um partido tradicional da base de sustentação política das igrejas. No atual governo, entretanto, para além de conveniências e “pragmatismos” políticos suspeitos, o papel do ideário evangélico é tão fundamental que determina toda a pauta social do país, em especial a Educação e os Direitos Humanos. A bancada evangélica é, hoje, tão consolidada no congresso federal que, embora nem sempre seja coesa, é invariavelmente determinante para a implementação de qualquer projeto político. Qualquer pauta no país, hoje, passa pelo crivo evangélico.
Nesse contexto, não deveria causar assombro que o estado laico, garantido constitucionalmente, seja um campo tão central na disputa ideológica pelo controle das narrativas políticas. O que assombra não é somente o fato de que seja um ideário religioso a determinar as dinâmicas sociais. Estamos bem habituados às violentas imposições do cristianismo católico. O que assusta, a uma altura dessas, num país como o nosso, é o ressurgimento de seu aspecto autoritário e dogmático, revestido de um forte viés de negacionismo científico, de um reluzente falso-verniz relativista e de um moralismo totalmente anacrônico. Um fundamentalismo religioso herdeiro de nossa linhagem proto-aristocrata, colonialista, escravocrata, racista, misógina, genocida, fascista, militarista e, evidentemente, vira-lata.
O caricato personagem Tim Tones, de Chico Anysio, baseado no folclórico reverendo Jim Jones, que, no fim dos anos 70, comandou um suicídio coletivo entre centenas de seus fiéis, inclusive crianças.
“Podem correr a sacolinha”
TIM TONES (CHICO ANYSIO) era o bordão nas esquetes em que, invariavelmente, os fiéis eram vitimados pela ganância de seu líder religioso. A referência usada pela genialidade do humorista brasileiro é ainda mais pertinente porque indica onde o evangelismo brasileiro buscou as referências de sua expansão geopolítica.
Não sei dizer se a teologia da prosperidade é invenção dos estadunidenses, mas está afinadíssima ao ideal do “self made man”, tão importante nas terras do Tio Sam. A “terra das oportunidades” é o território em que os homens podem ser prósperos por seus esforços individuais através de duas qualidades básicas: a perseverança e a fé. Respectivamente, o trabalho incansável e a força espiritual (ou psíquica, para quem não é religioso) capaz de conduzir o homem no enfrentamento de seus maiores desafios.
No Brasil, a teologia da prosperidade, com sua promessa sedutora de sucesso espiritual e financeiro, foi saboreada como um doce na boca de criança, por uma população pobre, desassistida e com baixa escolaridade. Num país de profunda tradição católica, em que, historicamente, se pregou o sofrimento como forma de garantia de um paraíso eterno após a morte, não é de se admirar, hoje, a adesão sistemática a um discurso que, além do Reino dos Céus, promete prosperidade financeira em vida. Pão e água deixa pros infiéis…
O ataque sistemático contra professores e pesquisadores; universidades e escolas não é aleatório; é um exímio golpe tático. A Ciência não pode mais ser a dona da verdade. O pensamento crítico e divergente deve ser atacado e neutralizado. Todos devem submeter-se à sua lei e sua moral. Nessa triste sociedade, aos professores e educadores, lega-se o destino de Sócrates e de Cristo. Aos que insistirem em sobreviver (somos piores que a barata de Kafka ou a mosca de Raul), o destino dos sofistas.
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2020.05.26 13:37 hage_girl Eternamente uma garotinha de 12 anos assustada

Não sei bem o que preciso desabafar nesse momento, mas isso tem me incomodado muito.
Eu não tive uma infância fácil, minha mãe tinha esquizofrenia e epilepsia (esta bem controlado e nunca mais teve crise, a ultima deve fazer mais de 15 anos).
Meu pai a amava muito, e por esse motivo, se aprofundou de cabeça em uma igreja evangélica. Ele acreditava veemente que a melhora da minha mãe se dava a esse fato. Então achava que se "saíssemos da linha" coisas horríveis aconteceriam novamente, e que voltaríamos a viver naquele conto de terror.
Quando eu me lembro dessa parte da minha historia, lembro que sentia medo de coisas que não entendia, e meus pais também não. Então era tudo respondido com coisas do tipo "demônio, espirito atormentando, mão de Deus pesando" e etc
Resumindo, minha infância não foi normal, não podia vestir roupas que outras crianças vestiam (sempre saias e vestidos ridículos), não podia ver filmes, musicas "mundanas", e etc.

Minha vida mudou dos avessos. E resumindo, eu não levo mais essa vida de antes. Meu pai faleceu, minha irma se casou, minha mãe também e eu fui seguir minha vida

Trago MUITAS cicatrizes daquela época (tenho síndrome do panico desde muito nova) porém acho que hoje eu faço muitas coisas que naquela época eu só poderia sonhar.
Hoje eu vejo que eu tenho coisas e faço coisas que eu sonhava muito em poder tefazer

Mas não me sinto feliz com isso.
Constantemente tenho problemas de panico, medo absurdo, tristeza pesada. Tomo remédios, faço tratamento, já pensei mil vezes em acabar com minha vida e até tentei inclusive. Tento me manter positiva, forte, lutar com tudo isso e até consigo as vezes. Mas meu passado me persegue. 90% dos meus sonhos envolvem pessoas do passado, meu passado em geral. Talvez eu me sinta presa lá. Com assuntos mal resolvidos.

E eu não consigo superar. Por mais que eu tente. Quando acho que estou ok, os sonhos vem com tudo. Sonho com meu pai, minha vó, sonho sempre como se nada tivesse mudado, nada tivesse acontecido. Sou apenas uma garotinha de 12 anos nos meus sonhos.
Sem contar com pavor de abandono que eu desenvolvi, e outros problemas. Parece que eu só faço as coisas erradas. Afasto pessoas, faço péssimas escolhas, me isolo em sofrimento e magoo pessoas que se importam. Sei que isso é errado.

Nem sei o que esperar escrevendo esse desabafo, talvez alguém que já tenha passado por isso possa me dar uma luz de como superar isso, ou só uma palavra de conforto mesmo
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2019.08.02 03:54 officerfields Estou prestes à me casar, e estou ficando ressentido com minha noiva.

Tenho 25, ainda moro com meus pais, mas de alguma forma mantenho um namoro saudável de 5 anos. Em 2018, decidimos tocar nosso plano de morar juntos, mas ela só topou com a condição de nos casarmos. Pra mim, casamento é desnecessário, mas isso é o sonho de vida dela. Morar juntos sem nos casarmos na igreja seria condená-la a uma vida de frustração. Enfim, estamos com casamento marcado para Novembro desse ano.
Eis o pulo do gato: eu ganho mal, e ela não ganha nada.

Minha renda é muito instável em dois sentidos - varia muito de mês pra mês, e eu posso perdê-la a qualquer momento, pois faço marketing afiliado pela Amazon. Se a Amazon decide fechar minha conta, adeus renda. Só nessa parte, já bate ansiedade. Mas é uma quantia bacana pra quem é frugal e ainda mora com os pais (varia entre R$1.400,00 a 3.000,00 por mês).
Porém, desde que topei casar e sair de casa, estou sentindo um peso enorme nas minhas costas. Vejo que é uma grana muito curta pra se morar sozinho, especialmente dividindo teto com alguém que não ganha nada.
Ela é formada em contabilidade, mas é desempregada, se recusa a trabalhar na área, não envia currículos, não faz um curso, não faz um bico, nada. A rotina diária dela consiste em passar o dia inteiro vendo páginas de meme e casamento no Instagram. Em algumas raras ocasiões ela "estuda" para concursos (lê 15 páginas de um pdf aleatório por semana).
Ela é o amor da minha vida. Ela sempre me encoraja, me levanta, é carinhosa, companheira, e compreensiva. Já me puxou de vários momentos escuros, e inclusive, foi graças à ela que consegui sair de um quadro grave de depressão. Quando eu puxo esse assunto de dinheiro, ela reconhece que não está contribuindo e se sente muito mal, mas nada faz pra mudar a situação.
Temo que estou ficando ressentido com ela. Cá estou eu, pesquisando, trabalhando, fazendo cursos, bicos, enviando currículos, pra ver mais da metade do fruto dos meus esforços indo embora pra custear esse casamento e até mesmo as faturas do cartão dela, enquanto ela passa seus dias letárgica num sofá, surfando pelo Facebook e Instagram.
A cereja do bolo: ela é evangélica, e não quer mais fazer sexo até o dia do casamento.

Eu realmente não sei mais como agir. Meu lado racional me diz pra pular fora, que estou perdendo tempo. Mas o coração me diz pra ficar, que isso vai valer a pena no final.
Eu realmente quero que nosso relacionamento dê certo, mas a pressão está começando a afetar o meu amor por ela.
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2019.06.01 15:55 Cine81 Minha ex-namorada teve depressão e todos me culpam por isso

Ontem tive um dia difícil. Minha ex-namorada vai mudar-se para Toronto e lançou uma festa de despedida na igreja evangélica dela. Mas a situação é mais complexa do que um ex-namorado que vai sentir saudades.

Durante o nosso namoro, ela sofreu com depressão profunda. Eu tive medo de que ela fosse fazer alguma besteira consigo mesma, em alguns momentos ela desejou morrer durante as crises de depressão. Essa situação piorou quando ela começou a ter crises de pânico e a sentir o que ela chama de uma opressão espiritual, ela literalmente ouvia vozes, e essas vozes instigavam ela a fazer coisas ruins ou se sentir pior. E além disso começou a ter crises de pânico severas. E a família não sabia direito o que estava acontecendo, quem sabia era eu.

E eu fui quem lidei com todas essas questões. Ela depressiva se tornou excessivamente ciumenta, cobradora e pesava muito a barra pra mim. Então, eu fiquei naturalmente sobrecarregado e confesso que algumas vezes me estressei e não soube lidar da melhor maneira com a situação. Mas sempre que eu tive capacidade eu a reconfortei, tirei ela de inúmeras crises de pânico. Levei ela diversas vezes ao hospital.

Mais do que isso, eu sou umbandista, preconceitos a parte, na minha religião não praticamos o mal, é uma religião que prega o amor e a bondade. Em dado momento ela se interessou a ir na Umbanda comigo e passamos a ir juntos - a questão da religião antes era um problema, pois nos dias em que eu ia para a "gira", ela ficava chateada comigo por não estar dando o "suporte" necessário. Mas quando ela passou a ir comigo, foi melhor para a gente como casal, mas também porquê lá dentro eles tiravam muitos pesos que ela carregava. Lá dentro ela foi tranquilizada e limpada de cargas muitas vezes. As "vozes" paravam, as crises paravam, mas pouco tempo depois ela voltava a ter que lidar com esse problema.

Resumindo: Vivemos tempos difíceis, e ela melhorava e piorava drasticamente.

Parte da família dela que descobriu que ela estava na Umbanda (São evangélicos) ficaram furiosos, a julgaram, e óbvio, me julgaram por tabela. Mas nosso namoro estava insustentável e acabou (resumindo a história) e ela voltou para a igreja evangélica onde foi ajudada pelo pastor e dessa vez a depressão se dissipou.

Ah claro, não ignoro a parte de que ela estava frequentando psicólogos, tomando remédios, o que ajudou em parte, nada disso foi deixado de lado, estou apenas resumindo. Mas o que fez ela voltar a ficar bem foi um encontro com o pastor da antiga igreja dela, e ela conta que teve uma experiência religiosa muito forte que a fez ficar bem. Mas mais do que isso, ela adquiriu um novo propósito, e decidiu mudar-se para Toronto - haviam várias razões que causaram a depressão dela, uma delas era a sensação da falta de propósito aqui no Brasil. De desesperança. E nisso eu nunca poderia ajudá-la. Acreditem, eu tentei.

Contexto dado.

Enfim, foi marcada uma despedida para ontem a noite. Na igreja dela. Ela é uma pessoa de bom coração e agradeceu a todos que estiveram na vida dela, inclusive a mim - conseguimos acabar o namoro e nos mantermos amigos, apesar de inicialmente essa amizade ter sido difícil. - Mas a família dela me vê como o vilão da história.

A família dela me vê como o cara que causou a depressão dela. Afinal eu estava com ela quando ela estava doente.
A família dela me vê como o cara que levou ela pra Umbanda. Mas isso foi uma escolha totalmente dela, eu até fiquei surpreso quando ela entrou.
E a família dela está dando graças a Deus porquê ela finalmente "saiu do pecado" e se livrou de mim, o algoz.

Foi uma situação péssima. Fui no culto de despedida, e várias pessoas que cumprimentei não olhavam na minha cara. Mas fiz questão de apertar as mãos dessas pessoas e olhar nos olhos delas para elas verem que eu estava ali, convidado pela minha ex. Peguei a mãe dela olhando de lado pra mim e fui diretamente falar com ela, ela também me cumprimentou de forma esquisita. A irmã, o pai. Os amigos. Todos com uma péssima impressão de mim. Enfim, eu fiquei como o cara que causou todo o mal na vida da Juliana, pois por coincidência a depressão dela se alastrou no período do nosso namoro.
E me senti extremamente mal ontem. Sai de lá tão carregado. Eu estou tentando me colocar acima disso, mas é impressionante como o olhar torto e os julgamentos das histórias me afetam. Essas pessoas nunca me deram a chance de me defender, nunca me perguntaram o que estava acontecendo, só tiraram suas conclusões a partir do que viram de fora, e eu virei o pária, o pior namorado que passou pela mão da dela. Sendo que na verdade eu fui o cara que cuidou dela nos piores momentos possíveis! Já perdi a conta do tanto de vezes que a socorri, que a levei no hospital, que a carreguei pra cama, ou a confortei, já perdi a conta das vezes que a abracei. Mas no final do namoro eu estava ausente, porquê eu estava cansado demais, estava fraco e estava começando eu mesmo a ficar doente. Eu devo ter errado inúmeras vezes, mas enfim, eu sou humano. Só queria desabafar aqui pois não quero me dar ao trabalho de conversar com aquelas pessoas, considero-os hipócritas mesquinhos e eles que fiquem com a história que eles criaram, eu tenho minha verdade. Não quero mais me importar com tudo isso, mas confesso que me machuca ter saído como o monstro dessa história que vivenciei de forma tão intensa.
Adendo:
Hoje ela está indo embora para o Canadá. E apesar dela sentir que no fim do namoro eu mesmo não estava sendo capaz de ser tão presente (porquê eu estava exausto e esgotado), ela (minha ex) me vê com bons olhos e a gente ainda se fala e entendemos que temos um carinho especial um pelo outro. Mas que não seguiremos juntos apesar de tudo.
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2017.12.26 03:57 Umbrasyl O pastor, o Papai Noel e os comunistas...

Na boa, pau no cu dos pastores. Os caras abrem a boca mas na verdade tao atirando com uma metralhadora de merda. Ontem à noite eu ouvi o que ninguém devia escutar.
Aconteceu no interior do RJ, quando eu pisei numa igreja evangélica pela primeira vez em quase 8 anos. Quebrei meu streak pq meus priminhos iam se apresentar numa representação do nascimento de Cristo. So far so good, um coral desafinado aqui, uma atuação tier infantil ali, até que o pastor presidente começa a falar. Puta merda.
O sermão começou com "Vcs sabem quem protagoniza o Natal na China?", uma frase muito coerente e com ctz o tipo de questão que as pessoas se fazem. Aí o pastor vai e responde a própria pergunta dizendo "O Papai Noel. Até na Venezuela é o Papai Noel. Vocês sabiam que nos lugarem sem nosso Senhor(TM), o Papai Noel é o protagonista do Natal? Em Cuba, os próprios comunistas enchem as ruas de decoração vermelho e verde em vez de celebrarem Jesus. Não é à toa que eles são o que são."
Aí eu olhei pra minha irmã, ela olhou pra mim, dissemos "Oloco" e o pastor continuou narrando a grande heresia comunista de substituir Jesus pelo bom velhinho. Falou de como os chineses são uns infelizes por comemorar o Natal numa "terra sem crentes", que são uma gente "perdida nos olhos de Deus" e que Jesus se ofende com quem acredita no Papai Noel. JESUS SE OFENDE COM CRIANCINHAS. Imagina seu filho te perguntando "O Papai Noel vem hoje?" e tu respondendo com "Papai Noel é uma ameaça comunista, meu filho. Se eu ver alguém de vermelho entrando nessa casa ele será exterminado em nome de Jesus. Inclusive vc por acreditar nele, seu commie merdinha."
Eu me considero centro-direita, mas isso foi foda de aturar. Como alguém é tão cego? Desde quando se tem o direito de desejar mal pras pessoas só por serem comunistas? E desde quando a porra do Papai Noel é comunista? É pq ele usa vermelho? É pq ele distribui presentes?? Alguém comprou esses presentes. Ou a sacola dele só tem exemplares do Manifesto Comunista? O pastor deve ter lido alguma teoria no zapzap que o Papai Noel é o Karl Marx num trenó. Ho ho ho agora é morse pra "we must seize the means of production".
E o pior foi o segundo pastor falando de como as crianças dessa igreja tavam crescendo com a educação certa. Nos últimos minutos do culto eu achei que o outro pastor ia redimir o tempo que eu desperdicei na igreja, mas ao invés disso ele resolveu disparar a metralhadora de merda pra berrar sobre como as escolas querem desviar a juventude do caminho de Deus e como nós, os responsáveis, temos que nos opor contra a mídia demoníaca e as medidas do governo que ameaçam as funções familiares. Caralhinhos, amigos. O cara tava até estipulando os "planos de vida" pras meninas da apresentação. Como esses pais não acharam aquilo creepy?
Em suma, fiquem longe de igrejas evangélicas do interior. Quando eu vi a cena da igreja em Kingsman eu achei escrachado, mas infelizmente a vida real fez o filme parecer uma fanfic.
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2017.10.21 14:59 Taurusan A ameaça de uma Teocracia Evangélica no Brasil: uma análise introdutória

Edit: Talvez o termo mais adequado seja "teocracia informal ou tácita", no sentido de que não é plenamente institucionalizada, mas é praticada.
Nesse texto, pretendo expor de forma introdutória como há uma ameaça real e já em curso de formação de um Estado Teocrático no Brasil em que o executivo, legislativo e o judiciário (a nível municipal, estadual e federal) ficariam sob controle de pastores ou membros de igrejas evangélicas e que suas decisões seriam fundamentas a partir de uma lógica religiosa e submetidas às diretrizes de suas respectivas igrejas. O texto se subdivide em:
  1. "A Intenção", onde demonstro que os evangélicos (particularmente a Igreja Universal) têm um plano de tomada de poder com tendência antidemocrática;
  2. "Os Meios", que expõe as ferramentas que esses grupos religiosos dispõem para a tomada desse poder;
  3. "As Estratégias" para isso, focando na dimensão política apenas.
Antes de expor a análise, é necessário esclarecer que por se falar em "evangélico" aqui se entende principalmente denominações pentecostais (como a Assembleia de Deus) e neopentecostais (Universal do Edir Macedo, Mundial do Valdemiro Santiago etc.). Evangélicos de missão (ou históricos) como luteranos, presbiterianos, entre outros são relativamente distintos em termos de doutrinas, perfil sociocultural e relação com a política quando comparados com neo/pentecostais (embora tenha ocorrido uma "pentecostalização" dessas denominações nas últimas décadas. Nota-se isso principalmente entre batistas).

A INTENÇÃO

Começamos a exposição pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), do Edir Macedo, porque ela é a principal personagem dessa história. É a que tem as intenções mais claras de tomada de poder, é uma das mais organizadas politicamente (a que iniciou uma atuação evangélica mais estruturada na década de 1990), com maior poder econômico e midiático, além de ser o grupo neopentecostal com mais fiéis no país.
Em 2008, Edir Macedo (em coautoria com Carlos Oliveira) publicou o livro "Plano de poder – Deus, os cristãos e a política". No livro, Macedo afirma que Deus tem um plano político para os fiéis da IURD e para os evangélicos que sejam seus aliados: governar o Brasil.
Macedo diz que a “obra não se propõe à incitação de um regime teocrático. Até porque o Estado brasileiro é laico e a liberdade de crença é assegurada constitucionalmente”. Porém, nesses últimos quase 10 anos desde a publicação do livro, o que não falta são exemplos de violações à laicidade do Estado por parte de políticos evangélicos e, entre eles, de políticos ligados à Universal. Da mesma forma, a liberdade de crença assegurada constitucionalmente parece não existir nos discursos e ações de pastores da Universal quando se trata de religiões afro-brasileiras, de espíritas, ateus etc. Portanto, esta afirmação de Macedo não condiz com a realidade e é de se esperar que a obra seja sim uma incitação a um regime teocrático.
Além disso, na própria obra há diversos trechos que deixam isso claro. Macedo afirma que os cristãos devem participar do “projeto de nação idealizado por Deus para o Seu povo”. “[A Bíblia] não se restringe apenas à orientação da fé religiosa, mas também é um livro que sugere resistência, tomada e estabelecimento do poder político ou de governo […]". Usando de um discurso maniqueísta bastante comum no meio neopentecostal (quem não está conosco está com o diabo), Macedo diz que “Existem os agentes do mal, que são aqueles que fazem oposição acirrada em vários sentidos — inclusive, ou principalmente, na política — aos representantes do bem”. Também afirma que "A potencialidade numérica dos evangélicos como eleitores pode decidir qualquer pleito eletivo, tanto no Legislativo, quanto no Executivo, em qualquer que seja o escalão, municipal, estadual ou federal".
Quanto a outras denominações evangélicas, mesmo que não tenham - pelo menos, não de forma tão clara e organizada - um plano de poder como o da Universal, não escondem a intenção de estabelecerem uma nação regida pela moral cristã evangélica. Contudo, como essas outras igrejas (principalmente a Assembleia de Deus, maior denominação evangélica do país) tomam a Universal como modelo político a ser seguido, não é de se estranhar que outras denominações ou lideranças façam algo semelhante no futuro.
Algumas fontes dessa seção: 1, 2, 3.
Algo próximo a isso foi o artigo de opinião - publicado na Folha de São Paulo, em 2014 - intitulado "Antes pedintes, hoje negociadores", do pastor Robson Rodovalho, fundador da Igreja Sara Nossa Terra e ex-deputado federal. Falando em nome dos evangélicos de forma geral e fazendo referência à candidatura à presidência do Pastor Everaldo, mas também como intenção futura dos evangélicos na política, ele menciona a "clara mudança de posição do segmento evangélico como ‘player’ do jogo político", possuindo, agora, influência e controle para dar as cartas, definir as regras do jogo.
Uma última coisa a se mencionar é que essa intenção de domínio dos evangélicos num caráter antidemocrático, que vise impor a moral cristã ao Brasil está além de textos panfletários. Essa intenção está visível numa dimensão mais popular e abrangente, já inculcada na mentalidade dos fiéis e que pode ser melhor entendida a partir de uma expressão comum no universo evangélico: "O Brasil é do Senhor Jesus Cristo" (e suas variantes "tal cidade/estado é do Senhor Jesus", "Feliz é a nação cujo o Deus é o Senhor", sendo esta última um salmo). Essa expressão de “posse” de um território a determinada divindade e, consequentemente, a determinada religião, se sustenta, em parte, em uma característica inerente ao cristianismo e que tem sido uma das principais motivações para quase toda investida teocrática na história: o imperativo de converter todos ao cristianismo.
Assim, vemos tal expressão ser dita por lideranças, como Silas Malafaia, nesse twitter, nesse, ou nesse vídeo do Instagram.
No banner do Twitter do Marco Feliciano.
Há até um ministério evangélico que traz esse termo: Ministério o Brasil é de Jesus.
Há também o caso das várias placas, totens, outdoors espalhados pelo país e que já geraram muita polêmica e disputa judicial. Por exemplo, em 2006, a prefeitura de Sorocaba instalou um totem com esses dizeres na entrada da cidade a pedido do então vereador e pastor Carlos Cézar da Silva, da Igreja do Evangelho Quadrangular.
Outro exemplo, na cidade de Leme/SP.
Já teve até prefeito que publicou decreto entregando a "chave da cidade ao Senhor Jesus Cristo".
Até na música essa ideia está visível. O termo "O Brasil é do Senhor Jesus" intitula a canção de dois artistas gospel populares, Mattos Nascimento e a banda Voz da Verdade. Por sua vez, do músico Sérgio Pessoa, há "Desta Cidade Jesus Cristo é o Senhor”. Na canção de Mattos Nascimento, ele diz querer "Ver o presidente, o governador Se curvando à Deus, o nosso senhor". Na da Voz da Verdade, é dito que "Jesus comanda este país de terra e mar" e proclama "Jesus Cristo na nossa bandeira".

OS MEIOS

Os meios, as ferramentas para a instalação de uma teocracia evangélica no Brasil partem, particularmente, dos vastos poderes religioso, político, econômico e midiático dessas denominações.
  • Poder religioso / abrangência demográfica
Segundo o censo de 2010, 22,2% da população brasileira se declara evangélica. Um censo mais recente do Datafolha, de 2013, mostra que esse número já cresceu para 29%, sendo que 22% são neo/pentecostais. Portanto, há cerca 60 milhões de neo/pentecostais no Brasil.
Análises do perfil socioeconômico também mostram que estes milhões se encontram nas camadas mais pobres e menos escolarizadas do país, geralmente em contextos em que o poder público está totalmente ausente de suas vizinhanças e vidas. Somando-se a isso o fato de que uma estratégia de conversão comum no universo neo/pentecostal é atrair pessoas em situações de crise emocional, financeira, de saúde etc., o evangélico típico é um indivíduo de perfil manipulável e mais propenso a ser radicalizado. E considerando a participação política desses indivíduos, sabe-se que "eleitores evangélicos votam em seus pares, seus irmãos e pastores”.
Portanto, dezenas de milhões de brasileiros abertos à manipulação e radicalização prontos para votarem e apoiarem o que seus pastores sugerirem.
  • Poder econômico
Não é necessário se estender muito aqui, o poder econômico dessas igrejas é bem reconhecido. As principais lideranças religiosas neo/pentecostais são milionários e bilionários. Talvez, o que deixe mais claro, de forma sucinta, a dimensão desse poder é justamente o valor das riquezas das principais lideranças evangélicas do país divulgadas pela Forbes.
Vale ressaltar que Edir Macedo, por meio do grupo Record, também é dono de 49% de um banco, o Banco Renner.
  • Poder midiático
Mais uma vez, essa é outra dimensão de poder dessas igrejas bastante conhecida para qualquer brasileiro. E, também aqui, é a Universal que se destaca. Ela é dona da Rede Record, a segunda maior emissora no Brasil; o canal de notícias Record News; o jornal Folha Universal (circulação de mais de 2,5 milhões); a Rádio Record de São Paulo (que comanda um pool de outras 30 emissoras de rádio), a Rede Aleluia que possui 68 emissoras próprias; selos musicais. A Igreja Internacional da Graça de Deus, de R.R. Soares, ocupa o horário nobre da rede Bandeirantes, todas as noites, e conta também com uma concessão de televisão, a RIT (Rede Internacional de Televisão), que conta com 8 emissoras e mais de 170 retransmissoras. A Igreja Mundial do Poder de Deus, de Valdemiro Santiago, é dona da emissora Rede Mundial. A Igreja Apostólica Renascer em Cristo, de Estevan e Sônia Hernandes, opera várias emissoras de rádio em São Paulo e um canal de televisão, a Rede Gospel. Seria possível mencionar muitas outras igrejas, mas ficaremos apenas nessas.
Porém, a influência midiática das lideranças evangélicas tem ido além das tradicionais rádio e TV. Silas Malafaia, do ministério Vitória em Cristo, ligado à Assembleia de Deus, por exemplo, possui mais de 1 milhão e 300 mil seguidores no Twitter, além de 300 mil seguidores em seu canal no YouTube. Marco Feliciano, também ligado à Assembleia, tem meio milhão de seguidores no Twitter.
Fonte: 1
  • Poder político
Os evangélicos adentram a política nos anos 1980 e, desde então, só crescem em números e influência. Nos governos do PT, eles passam a ganhar papel de destaque nacionalmente e, no governo Temer, uma República Evangélica começa a ganhar seus contornos.
A força desse grupo se encontra particularmente no legislativo (municipal, estadual e federal), contudo, a tomada de cargos do executivo está em ascensão e é uma de suas estratégias políticas recentes, como será visto adiante. Em nível federal, a representação legislativa mais evidente deste grupo é a Frente Parlamentar Evangélica, conhecida popularmente como Bancada Evangélica. São 198 deputados e 4 senadores¹. Portanto, quase 40% dos deputados federais no Brasil pertencem à bancada Evangélica.
Lista de alguns prefeitos evangélicos mais significantes: Marcelo Crivella (Rio de Janeiro/RJ), Anderson Ferreira (Jaboatão dos Guararapes/PE), Dr. João (São João do Meriti/RJ), Edinho Araújo (São José do Rio Preto/SP), Fabiano Horta (Maricá/RJ), Marquinho Mendes (Cabo Frio/RJ), Max Filho (Vila Velha/ES), Washington Reis (Duque de Caxias/RJ).
Ministros da República evangélicos: Ronaldo Nogueira de Oliveira (M. do Trabalho), Marcos Antônio Pereira (M. da Indústria, Comércio Exterior e Serviços), homem de confiança de Edir Macedo. Vale ressaltar que a Secretária de Políticas para as Mulheres, órgão subordinado ao Ministério da Justiça, é uma Evangélica, a Fátima Pelaes (ela já disse que, por conta de suas convicções religiosas, é contra o aborto mesmo em casos de estupro).
Em termos partidários, destaca-se o Partido Republicano Brasileiro (PRB), porque ele é o braço político da Igreja Universal. O Ministro Marcos Pereira e o prefeito Crivella são desse partido. No entanto, a Assembleia de Deus (ou, pelo menos, algumas alas dessa denominação com muitas ramificações) também pretende criar seu partido, o Partido Republicano Cristão (PRC), que já tem mais de 300 mil assinaturas coletadas e pretende concorrer já às eleições 2018. O coordenador político da convenção das Assembleias de Deus, pastor Lélis Marinhos, diz que a principal bandeira da nova sigla será a família, "Aquela chamada tradicional, com o princípio básico bíblico da família hétero".
¹ Alguns desses parlamentares renunciaram por terem sido eleitos prefeitos em 2016 ou estão afastados para exercerem cargos públicos. Há parlamentares que não são evangélicos, mas católicos. Há também aqueles que apesar do apoio de igrejas evangélicas, não são vinculados a elas.
Fontes: 1, 2
  • Adendo: Poder de coerção
Essa teocracia vem sendo gradualmente instalada no país por meio de atuação política e pressão popular, contudo, a possibilidade de criação de organizações evangélicas policialescas, paramilitares ou similares é possível, embora – por enquanto – ainda pareça pouco provável. Alguns indícios:
Gladiadores do Altar
“Em frente ao Templo de Salomão, jovens fardados e alinhados batem continência em sincronia. Embora carreguem consigo a disciplina de militares, trata-se de outro tipo de soldado: aqueles que lutam em nome da Palavra de Deus. Eles fazem parte do projeto chamado “Gladiadores do Altar”, que surgiu no final de ano passado e tem como objetivo preparar integrantes do grupo Força Jovem Universal (FJU) para colaborar no futuro como pastores.” Fonte
E o vídeo que viralizou há um tempo.
Considerando que esse projeto/organização vem da Universal, a com a intenção e meios mais claros, é preocupante.
“Traficantes evangélicos”
É, contudo, entre os traficantes do Rio de Janeiro que a possibilidade de uma milícia evangélica parece mais real. Isso ocorre porque há indícios de que criminosos estejam atuando com base na orientação de lideranças religiosas com o objetivo de aumentar a influência sobre comunidades carentes. Vídeos que circularam este ano mostram a ação de alguns desses traficantes (que teriam se convertido ao neopentecostalismo quando cumpriam pena em presídios) obrigando sacerdotes de religiões afro-brasileiras a destruírem seus próprios templos:
Vídeo 1, vídeo 2.
Fontes: 1, 2, 3, 4

AS ESTRATÉGIAS

A professora da UFF, Christina Vital, que se dedica às relações entre evangélicos e política, em entrevista para a Folha de São Paulo, expõe algumas estratégias políticas recentes dos evangélicos no intuito de estabelecer seu poder sobre o país:
  1. Uma estratégia eleitoral de ocultação da identidade evangélica dos candidatos,
  2. assumir cargos do executivo, com foco na presidência,
  3. e assumindo a presidência, chegar ao Supremo Tribunal Federal.
Quanto à primeira estratégia, ela diz: "[...] eles adotaram um jogo de visibilidade e ocultação da identidade evangélica dos candidatos. Crivella não se registrou na Justiça como bispo Crivella, diferente do que fez o pastor Everaldo [candidato presidencial do PSC em 2014]".
Quanto às segunda e terceira, ela afirma “[...] desde pelo menos 2014, há um investimento de importantes lideranças evangélicas em torno de unidade para ocupação dos Executivos”.
"No nosso livro que será lançado, o pastor Everaldo falou claramente na estratégia de assumir a 'cabeça', falou exatamente a palavra 'cabeça', em uma referência à importância da ocupação da Presidência, que é por onde passa a indicação para o Supremo Tribunal Federal. A gente acompanha o crescimento de mobilização de juízes evangélicos ou sensíveis à causa evangélica na Associação de Juristas Evangélicos".
“[...] conseguir chegar à Presidência da República é importante para eles como estratégia para barrar no Supremo Tribunal Federal temas de minorias -como a pauta gay- que travam embate com esses religiosos”(Folha).
E nessa estratégia de chegar à presidência é que entra Jair Messias Bolsonaro:
Os evangélicos já ensaiaram a candidatura própria para presidente em 2014 com o Pastor Everaldo, no entanto, não teve muito sucesso. Isso está para mudar com o novo candidato dos evangélicos para 2018: Bolsonaro.
Bolsonaro, apesar de católico, é membro da Bancada Evangélica (há outros católicos também), assim como seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro. Porém, ano passado, Bolsonaro-pai foi batizado por ninguém menos que o Pastor Everaldo nas águas do Rio Jordão. Uma demonstração simbólica de aproximação com o eleitorado evangélico e com a alta cúpula (na época) dos políticos evangélicos.
Retomando a Christina Vital, ela diz que "A possível candidatura presidencial de 2018 em torno do Bolsonaro é talvez mais representativa de um movimento de unidade de diferentes denominações". Essa unidade está um pouco abalada hoje em dia, já que Bolsonaro saiu do Partido Social Cristão (PSC), partido dominado por lideranças da Assembleia de Deus. Outros grupos político-religiosos já demonstraram interesse em tê-lo, um deles, o PRB da Universal, que o sondou no início do ano. Contudo, ele parece querer ir a um partido evangélico em que tenha mais comando político. Porém, apesar dessa unidade abalada, ele ainda é visto como candidato dos evangélicos e com chances concretas de ganhar.
E há uma declaração de Bolsonaro que deixa muito claro qual é sua opinião sobre a relação Estado/religião e quais suas intenções caso seja eleito Presidente da República. No início deste ano, ele disse:

– Deus acima de tudo. Não tem essa historinha de estado laico não. O estado é cristão e a minoria que for contra, que se mude. As minorias têm que se curvar para as maiorias.

A eleição de Bolsonaro seria a “cereja do bolo” nesse longo sonho de controle político da nação por parte dos evangélicos mais fundamentalistas, de se tornarem players do jogo político no país. Essa frase deixa clara a possibilidade da implementação de uma teocracia no país, apoiada por milhões de brasileiros radicalizados e um grupo cheio de poder político, econômico e midiático.
Algumas considerações finais
Mesmo que Jair Bolsonaro não ganhe as eleições presidenciais de 2018, a ameaça teocrática não acaba por aí, virá outro candidato em 2022, assim como em 2020, mais prefeitos (e vereadores) evangélicos fundamentalistas serão eleitos. Esse projeto de poder vai muito além de Bolsonaro, embora ele seja no momento uma peça essencial para concretizá-lo.
Por último, umas semanas atrás, vi aqui no sub alguém comentar isso: "Pessoal se preocupa (ainda que tenha uma ponta de razão) com a possível ditadura militar enquanto a teocracia evangélica está em curso, com um plano de poder muito melhor organizado, e ninguém combate por medo ou receio de perder muitos votos nas periferias" (mtgr19877).
Isso é verdade. Se você se preocupa, acha possível uma ditadura militar no Brasil, uma teocracia evangélica é muito mais provável, porque ela já está em curso, é abertamente declarada e a cada ano se torna mais e mais real. É uma bomba prestes a explodir e destruir o que há de liberdades civis, políticas no Brasil... em nome de Deus! Essa é a maior ameaça antidemocrática nesse país.
Edit: a convite do blog/portal de notícias Aventar, de Portugal, esse texto foi publicado também.
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2014.02.17 15:28 NoFucksGiver Ateismo no Brasil

Não moro no Brasil há algum tempo e estou curioso quanto a este tema. Porém, pela internet o máximo que posso buscar são alguns números, e notícias envolvendo principalmente escandalos religiosos.
Infelizmente, apenas cerca de 7% da população brasileira é ateia... Alguém me explica porquê? Em outros países o ateísmo está a crescer, tem mais aderentes e não é conotado como uma coisa negativa, como acontece no Brasil... Porque é que isto acontece? BTW... até o Alabama um dos estados mais CONSERVADORES dos EUA onde ainda à uns anos se andava a discutir se os negros podiam votar tem mais ateus e agnósticos a nível percentual do que nós...
Edit: Excelentes respostas galera. Obrigado. Na minha opinião, adicionado a todos os fatores já ditos (anafalbetismo científico pra mim sendo o principal deles) é a cultura sincretista que temos. Vejo muitos, na minha familia inclusive, que se dizem católicos e vão ao centro espirita, fazem a fézinha no centro de umbanda e até dão uma passadinha na igreja evangélica. Essa mistura acaba criando uma certa indiferença quanto a religião, e isso de uma certa maneira até que é bom pois não vemos muitos fundamentalistas por aí, à moda amaericana.
Acho que as coisas podem melhorar a partir do momento em que tivermos uma pessoa que saiba expor os pontos cinentificos e os males da religião como um dos quatro cavaleiros. Imaginem alguém como Sam Harris ou Dawkins debatendo um Marco Feliciano ou uma Raquel Sherazade...
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