Como lidar com amor adolescente

Me sinto amarrada num relacionamento que não quero mais.

2020.11.18 05:43 pop-sky-12 Me sinto amarrada num relacionamento que não quero mais.

Gente eu já desabafei sobre isso algumas vezes (não aqui) e tô quase me sentindo aquela pessoa chata que fica reclamando mas não resolve o problema. Mas não queria opinião de homem, pra ser sincera. Tenham paciência comigo eu tô sensível kkk
[ COMEÇO DO RESUMO]
Resumo: Eu e o meu namorado fomos o casal exemplar por uns 4 anos. Todo mundo dizia que a gente era perfeito e etc. Cursamos o mesmo curso na mesma faculdade, mesma turma. E meu namorado logo no segundo ano resolveu que não queria mais saber do curso, que a vida dele era horrível, que ele não tinha sucesso nenhum (mesmo tendo só 23 anos), que as pessoas não notavam ele...
Então quando ele queria trocar de curso e eu falei "tranca", ele brigou comigo e disse que eu era insensível com a situação e que esperava mais compreensão de mim. Na hora estávamos virando uma madrugada de véspera de entrega e eu tinha que fazer o trabalho E consolar ele.
Ele gosta de atenção (ascendente em leão, alguém?) e reclama quando ninguém da nossa turma liga pra ele. E se sente inseguro quando olham e fazem cara de que não gostam. E reclama disso, e como reclama! meu deus do céu...
No começo da pandemia ele surtou por causa da faculdade e eu recomendei que ele fosse atrás de um psicólogo pq eu já não tinha mais disposição, energia ou vontade de debater o mesmo assunto novamente. Pra surpresa de ninguém ele surtou pra cima de mim e nessa hora a bolha do amor fez POP e desde então eu estou absolutamente desencantada.
[FIM DO RESUMO]
Final de outubro, após não nos vermos desde o começo da pandemia, nos encontramos. Minha auto estima tá uma merda, desde que eu entrei na faculdade eu engordei e não consigo me aceitar, mas fui arrumadinha no limite das minhas energias.
Eis que ele me chega com uma touca aleatória de bichinho na cabeça pq tinha raspado o cabelo e não tinha gostado. Isso num calor de quase 30 graus. Eu nunca agradeci tanto estar de máscara pq eu dei aquela torcidinha na boca de desgosto.
Sei lá, a gente tem que ser adulto pra lidar com as consequências não? Eu mesma já tive o cabelo picotado por mto cabeleireiro ruim e botei a cara na rua pq fazer o q, o mundo não para né. E outra: ele tava absolutamente normal de cabelo raspado.
Passeio vai, passeio vem e eu só percebendo o quanto a situação toda tava me deixando desgostosa. Perguntava "e aí, vamos fazer o q?" e ele respondia "não sei, tô te seguindo kkkk". A gente andava e mesmo eu anunciando "vamos no lugar X" e ia na direção, ele trombava em mim pq não sei. Ele não presta atenção em duas coisas ao mesmo tempo, eu acho.
O ápice foi quando subimos a escada de uma loja e ele enfiou a mão por debaixo da minha saia e apertou a minha bunda do nada. Sem contexto. Sem nem um clima. O que me fez lembrar na hora de uma vez que estávamos trocando uns beijos na faculdade, lá no nosso quarto mês de namoro, e ele levantou a minha blusa e sutiã e eu tenho certeza que uma galera me viu pelada. E quando eu me escondi e briguei, tudo que eu ouvi foi um "desculpa" de alguém que parecia que ia chorar a qualquer momento só por eu estar me impondo.
Nessa hora eu só desisti do passeio que tava mais sem rumo que o meu futuro. Aproveitei q n botava a cara na rua fazia mais de oito meses e fui comprar algumas coisas que eu queria (já que qualquer lugar pra ele tava bom). E ainda bem que ameaçava chover e a gente se despediu e foi cada um para o seu rumo.
"ah mas ele deve ser FODA na cama, não?". Não. Quatro anos de relacionamento e nunca gozei com ele. Quatro anos e ele sempre quer só deitar na cama e eu que lute pra fazer tudo.
E eu tô exausta disso sabe?
Ele ficou de cama por mais de um ano quando a namorada anterior dele terminou. Sempre que eu tento debater todas essas coisas que me chateiam, ele ou chora ou me olha com cara de choro e pergunta "você acha mesmo que eu faço isso?" e eu me sinto cansada. Mas não quero na minha consciência saber que ele provavelmente vai ficar doente e eu vou ser a causa.
Tô cansada das mesmas coisas e de só eu buscar novas. Novos passeios. Novas coisas pra fazer. Novas posições. Novos lugares para visitarmos. Maneiras diferentes de demonstrar carinho. De ele sempre me apertar descaradamente na rua e falar "você é a maior gostosa" toda. Santa. Vez. Que. A. Gente. Sai. Bônus: ele não sabe pegar nos meus peitos sem me machucar e em mais de uma situação eu já tentei mostrar pra ele como é.
Tô cansada de me sentir com medo de sair desse relacionamento sem rumo. De tentar olhar pra ele e pensar "quais foram as qualidades que te atraíram nele?" e não conseguir pensar em nada pq desde o surto psicológico do começo da quarentena, só consigo ver defeitos.
Tô cansada de me sentir feia e velha (tenho 26 anos) para tentar algo novo. Mas hoje saí para uma entrevista de emprego e o entrevistador ficava sem graça sempre que eu sorria (mesmo com a máscara, mas eu tenho bochecha grande e acho que dava pra saber os momentos que eu tava sorrindo) e eu fiquei pensando "porra, talvez eu não tenha que ficar penando igual a uma coitada nessa vida não..."
Sempre fui a mais santinha das minhas amigas. Tenho zero experiência com outros caras. Nunca terminei antes. Na minha cabeça eu ia morrer com esse namorado e isso tava bom pra mim. Mas acho que a distância me fez ver que não, eu não tava feliz com isso. Eu só tava tolerando e até a tolerância acaba.
Mas eu me sinto perdida de tudo e nem sei mais o que pensar. Antes eu conseguia ficar quieta sobre isso mas agora tá cada vez mais frequente a minha necessidade de botar isso pra fora do peito.
Sempre ralei pra caramba. Não me importo de ir limpar banheiro se eu precisar de grana. Lutei muito pra entrar numa faculdade de qualidade. E ele tem tudo dos pais desde sempre. Mora a 15min da faculdade (e eu a 2h). Reclama de dormir "só" 7h por noite. E eu, antes da pandemia, dormia em média de 4h a 5h. Sexta feira quando eu ia pra casa dele, só conseguia dormir. E ele veio me chamar pra conversar pq "a gente sempre transou de sexta, a vida sexual é importante, não tô te entendendo, você não me deseja mais?" e eu só conseguia pensar que tinha magoado ele e expliquei que estava cansada. Hoje só consigo pensar "por NENHUM segundo passou pela cabeça dele que eu tava exausta por causa da minha rotina de filha da puta".
Ah, e tem mais essa. As coisas óbvias.
Eu tenho que explicar tudo. Inclusive que ele não pode comer de boca aberta em público.
Não tenho mais saco pra explicar. Será que existe homem que vem com o básico já instalado? Isso é de deixar qualquer uma doida (ai n digam q sou só eu pfvr). E ainda tenho que ouvir ele querer retrucar. "Pq n pode comer de boca aberta?". Não sei querido, a etiqueta diz que não pode.
Tô me sentindo uma adolescente sonhando com um cara que saiba essas coisas de preset e que não me faça sentir como se eu fosse uma mãe, tendo que explicar absolutamente tudo. Mas no fundo tenho medo e muito, muito cansaço. Me sinto imobilizada. E tem horas que só tenho vontade de deixar a maré me levar.
Obrigada por lerem essa Bíblia.
SITUAÇÃO BÔNUS E CRINGE SE VOCÊ TIVER SACO: normalmente minhas amigas choram quando eu conto essa história.
Uma vez depois de transarmos (mal), fui para o banheiro passar uma água no rosto. Ele mora com os pais mas ele tem um banheiro só pra ele. As toalhas todas tem cheiro estranho mas julgolava que era um combo de má ventilação com pouco sol.
Lavei o rosto e sequei na toalha de rosto. Ele entrou no banheiro e começou a lavar o pau na pia. Fiquei bem "ECA!" mas ele falou que era normal e que todo cara fazia isso. Depois ele pegou a toalha que eu tinha acabado de usar pra secar o rosto e continuou a limpar o pau nela.
Eu surtei. De verdade. Não só pq sou toda regrada na limpeza e cuidado do meu rosto. Mas também pq isso não se faz.
E tudo que ele foi capaz de falar foi "mas você põe o pau na boca" e "todo cara faz isso". Eu tive que LITERALMENTE explicar que existe um contexto pra eu botar o pau dele na boca e que ngm que vem na casa dele merece limpar o rosto e a mão na toalha mofada de pinto dele.
Minhas amigas que tem mtos amigos levantaram a pesquisa e até eles ficaram com nojo dessa situação.
Argh me dá vontade de morrer só de lembrar essa história. Me sinto uma idiota por não ter sacado tudo ali naquele momento.
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2020.10.04 16:31 111DarkGuy A mulher que eu amo tá com outro cara e eu tô me sentindo um lixo.

Eu entrei pra vida "adulta" faz pouco tempo, e sinceramente minha adolescência não foi das melhores ou das mais bem vividas, então não tenho tanta experiência com relacionamentos.
Alguns anos atrás, eu conheci essa garota, ela é tudo de bom... amável, carinhosa, esperta, bonita, sei lá. É uma pessoa que eu admiro em diversos aspectos diferentes. Ela mora um pouco longe de mim, mas a gente meio que "clicou" imediatamente. A gente se aproximou muito rápido e sei lá, tava tudo dando certo, nós éramos basicamente namorados, só faltava a gente se assumir. Até que por algum raio de motivo que nem eu nem ela lembramos mais, a gente brigou. Ficamos um bom tempo sem nos falar. Reatamos contato esse ano, e eu, trouxa, me apaixonei por ela mais uma vez.
Bom, ela falou que não sente o mesmo, que não busca relacionamentos no momento, que talvez um dia, bla bla bla. Basicamente, eu tava sentindo mesmo que ela tava um tanto bloqueada comigo. Lembrando que tô resumindo muito a história pra não fazer um negócio gigante e muito detalhista. Enfim, eu conversei com alguns amigos meus e eles me ajudaram a perceber que talvez eu estava colocando a carroça na frente dos bois e sendo muito "juvenil" na minha abordagem. E parando pra pensar nisso, realmente, eu tava indo muito pra cima dela com essa de paixão, amor, namoro, mas sei lá, ela não tá bem com o emocional muito bom nos últimos meses pra isso, não é disso que ela precisa de mim, no momento.
Então eu falei "Ok, vou lidar com isso como adulto", chamei ela pra conversar e expliquei que eu acho que fui muito apressado e desengonçado na minha abordagem, que de agora em diante eu vou ser um amigo e um suporte pra ela, porque acho que ela precisa mais disso, no momento. Sugeri que ela fosse em um terapeuta (porque sinceramente, ela tá precisando), basicamente, falei que eu vou deixar esse meu sentimental em standby com ela, por enquanto, porque sinto que não é a hora. Ela me agradeceu, falou que sente que agora nós estamos sendo honestos um com o outro, que sente que o "bloqueio" que ela tinha comigo sumiu.
Aí ela disse que tá gostando de alguém. Inclusive, eles estão praticamente namorando. Eu sei lá, eu tava pronto pra deixar meus sentimentos de lado, mas essa notícia foi um baque muito grande... ela me disse isso, e eu aqui, me segurando pra não ter ciúmes, não ficar triste, pra sei lá, ficar feliz por ela. O cara em questão é conhecido meu também, ele não é babaca, não vai tratar ela mal. Mas manos... Eu não consigo me impedir de querer que esse relacionamento dela dê errado... Eu to me sentindo extremamente culpado, e é horrível esconder isso dela, mesmo sabendo que é o melhor a se fazer, pra não gerar briga e tal. Eu me propus a agir como adulto nessa situação e não ficar com esse tititi adolescente de "Ah, eu gosto dela mas ela gosta de outro", mas caramba, é um negócio que dói demais.
Bem, por enquanto os dois estão só "se conhecendo", não têm nada sério ou coisa do tipo, mas eu to percebendo que isso vai pra frente e tal... E eu não posso, nem devo fazer nada a respeito disso. Basicamente, eu perdi essa. Como praticamente tudo na minha vida amorosa até agora, eu perdi kk e eu to extremamente mal.
Então é... agora eu tô todo fragmentado aqui, metade de mim quer que ela seja feliz, quer estar lá por ela se ela precisar, quer acompanhar a jornada dela na vida mesmo que só como um amigo. A outra metade quer só que aquele relacionamento dela dê errado, que a vida me dê uma chance que seja de fazer ela feliz, eu, sozinho. E eu sei qual é o jeito certo e qual o jeito errado de agir, mas agir do jeito certo é MUITO difícil e sinceramente, dos dois jeitos eu vou me machucar bastante.
Tem muita coisa dessa história que eu não contei por preguiça e por não querer encher demais de texto, eu também não sou livre de problemas emocionais (mas diferente dela, eu estou na terapia e me cuidando e tal), mas o ponto é que eu devo MUITO a essa garota por coisas do passado. Não é só uma random que eu consigo simplesmente superar e seguir em frente, é muito, muito complicado. Eu real me apaixonei pesadamente por ela e "superar" isso vai ser um processo difícil, demorado e doloroso, se não impossível.
Enfim, obrigado pros 5 que lerem isso, é nóis galera.
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2020.09.03 20:16 OrbitingMoon Minha visão de mundo sempre foi meio distorcida

Quando moleque eu era meio bagunceiro, fazia muita merda, às vezes puxava briga, mas não sabia me defender depois, mas mesmo assim eu tinha alguns amigos. Quando eu entrei na quarta série eu tinha engordado um pouco, e na minha sala tinha um repetente. Nossa relação inicialmente foi bem normal, mas eventualmente começamos a nos dar mal e ele começou a me bullynar. Da quarta até a oitava série, quase que todo dia, eu tinha que lidar com isso (escola pequena, só tinha uma turma por série), eu era muito triste na época; matava aula sempre que podia, porque lá tudo que me esperava era zoação e eventuais brigas (que eu sempre perdia). Eventualmente todo mundo cresceu e parou de fazer isso, e o bullying acabou.
Mas não foram só flores depois daquilo, é óbvio que aquilo fudeu comigo, durante aqueles anos eu tentei suicídio no mínimo umas duas vezes, e toda noite antes de dormir eu desejava que ou eu ou ele morressemos, porque eu não aguentava mais. Quando acabou, eu tinha uns 14 anos, estava no nono ano, nunca havia tido uma amiga mulher, nunca dormi na casa de um amigo, não sabia fazer amizades, não sabia sorrir, era tímido, não sabia conversar, não tinha nenhum amigo de fora da escola, e mesmo dentro dela, só tinha dois ou três amigos de infância. Eu basicamente ainda era tão socialmente desenvolvido quanto uma criança de 10 anos (talvez até menos).
Enfim, eu não ligava pra isso, eu podia fazer amizades virtuais, certo? Sim, e eu fiz alguns bons amigos, mas eventualmente eu perdia todos eles porque eu não tinha escrúpulos e falava demais, coisas pessoais, íntimas, enfim. Eu não sabia manter amizades, eu era "estranho" demais pra isso. Mas um cara, ainda assim, me suportava, ele era bastante compreensivo e me aturava, incentivava-me a estudar, conversar com meninas ou outras pessoas, mas eu não levava ele tão a sério, até que eu entrei no ensino médio. De repente eu percebi o quão inútil eu era, e como eu não sabia de nada que deveria ser senso comum (eu, com 15 anos, não sabia nem o que significava ficar com uma menina).
Eu pedi muitos e muitos conselhos para aquele meu amigo, e ele me ajudou bastante, eu fiz minha primeira amiga mulher graças a ele! Mas eu ainda era muito estranho, então com o tempo perdi tanto a amizade dele quanto a dela. Eu era bastante triste na época, tinha muitas inseguranças, mas ainda assim me esforçava o máximo que podia para fazer amigos. Foi, também, nessa época que eu fiz minha primeira melhor amiga, eu amava ela demais, uma vez brigamos e ficamos alguns meses afastados, fiquei deprimidíssimo por um tempo, considerei suicídio porque não tinha mais ninguém. Mas uma hora eu acabei melhorando e me tornei capaz de ser mais normal, conseguia conversar numa boa, já tinha alguns amigos, fazia novas amizades e tudo mais.
Ainda assim eu ainda tinha uma visão bastante distorcida do gênero feminino, ainda não tinha experiência nenhuma com nada remotamente sexual, inclusive, participava de fóruns de incels, acreditava fielmente na blackpill (tua aparência determina teu sucesso na vida), e mais um monte de besteiras que eu lia nos fóruns. Um dia, porém, uma menina chegou em mim (eu nunca havia visto ela na vida), e pediu pra ficar comigo, eu logicamente aceitei, estava desesperado por uma companheira e por ter essas experiências "normais" que todo jovem tinha. Ela me deu seu número de telefone e ficamos conversando pelas próximas semanas, e que semanas...
Aquela mulher acabou de verdade comigo, só reforçou as visões que eu tinha do gênero feminino que eu via na internet. Ela foi a pior mulher que eu poderia ter encontrado para ser com quem eu teria minhas primeiras experiências envolvendo pegação e afins. Ela era uma pessoa horrível, dizia ter nojo de velhos, falava muita merda pra mim, era burra, mas muito muito muito burra, já tinha 20 anos e não tinha nem terminado o fundamental. Ainda assim, eu não tinha mais ninguém na época, e embora eu não gostasse dela, ainda assim queria experienciar o que era a pegação, então quando começamos a trocar nudes, ignorando como ela abaixou minha autoestima na época porque eu não era superdotado como ela queria, eu sentia uma sensação de poder porque ela me mandava fotos dela sempre que eu queria, eu atribuia isso à minha aparência (sou bonitinho, e segundo os fóruns, era só disso que alguém precisa para ter sucesso na vida).
Eventualmente, meio enojado com ela, decidi que não queria mais ela na minha vida, e cortei contato, voltando a estar sozinho. O engraçado é que aquilo me "traumatizou", e eu me recusei a ficar com alguém depois daquilo, inclusive uma menina que era minha vizinha (pensando agora, se ela tivesse sido a primeira pessoa com quem eu fiquei, eu nunca teria passado por esse monte de merda). Eventualmente eu fiz alguns amigos (homens) e fui pra algumas festinhas pela primeira vez, foi bem bacana, passei mal na primeira vez bêbado), mas eu ainda não queria me envolver com mulheres por medo daquilo se repetir.
Com o tempo eu deixei a visão incel que eu tinha do mundo e da mulheres de lado, mas ainda assim eu tinha uma visão distorcida da vida real. Esse ano eu conheci uma menina pela internet, e ela vem me ajudando bastante com isso, ela é bem bacana, e vem me ajudando a superar o medo que eu tinha de tudo isso. Claro, ela, de certa forma, me decepcionou bastante, foi bem deprimente quando eu percebi que eu não vivo num filme de amor adolescente, sabe? Eu acreditava que encontraria uma menina inexperiente como eu, então namoraríamos e aprenderíamos tudo juntos, seríamos felizes para sempre! Embora ela more perto de mim, ainda é longinho então nunca nos vimos pessoalmente, então embora eu ainda seja bobão quando o assunto é pegação, pelo menos agora, graças a ela, estou disposto a mudar.
Inicialmente eu tinha um crushzinho por ela, porque ela parecia ser o modelo de menina perfeitinha que eu tanto desejava, mas ela é humana, assim como eu, tem defeitos, temos diferenças, e eu fico feliz por ter percebido isso. Eu, ainda não entendo direito como eu cheguei nessa conclusão, mas eu tinha a visão de que toda menina busca um romance enquanto todo cara só quer pegação, e foi um puta choque de realidade quando eu percebi que não era assim, até a menina que era super babaca comigo queria um namorado, ela não quer????
Finalizando, peço desculpas se a coesão do texto tenha ficado ruim (sempre foi meu ponto fraco na escrita de textos) ou se eu omiti algum detalhe importante sem querer. Foi um tempão, fiquei muito tempo vivendo de ilusão, achando que o mundo fosse como um conto de fadas, mas é bom poder saber que agora, depois de tudo isso, eu já não sou o moleque esquisito que eu era há alguns anos. Obrigado se você leu até aqui :)
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2020.08.13 10:13 bobinhozinho relembrando três belíssimas obras LGBT+

introdução/contexto: essas obras são muito importantes pra mim. conheci elas num momento onde eu ainda tava confuso e não aceitando minha orientação sexual, e elas me ajudaram a passar dessa fase.
assim como fizeram comigo, as obras podem ajudar alguns de vocês que estão procurando validação ou com dificuldades sobre sua orientação sexual. mesmo os que não se encaixam nessa descrição, elas são bem feitas, legais e fofas, então recomendo-as de qualquer jeito.
obra I: Eu Não Quero Voltar Sozinho (curta-metragem) (spoilers na sinopse) (brasileiro)
assista: youtube
sinopse: Leonardo, um adolescente deficiente visual que muda de vida totalmente com a chegada de Gabriel, um novo aluno em sua escola. Ao mesmo tempo que tem que lidar com os ciúmes da amiga Giovana, Leonardo vive a inocência da descoberta do amor entre dois adolescentes gays. (mais informações: wiki do curta e IMDb do curta (em inglês))
obra II: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (longa-metragem) (spoilers na sinopse) (brasileiro, em português)
assista: trailer youtube(*) compre ou alugue (youtube filmes) netflix
*: aparentemente o vídeo dá pra ser assistido de boa, mesmo que de graça. qualquer problema eu tiro o link.
sinopse: Leonardo, um adolescente cego, tenta lidar com a mãe superprotetora ao mesmo tempo em que busca sua independência. Quando Gabriel chega na cidade, novos sentimentos começam a surgir em Leonardo, fazendo com que ele descubra mais sobre si mesmo e sua sexualidade. (adorocinema) (mais informações: wiki do longa e IMDb do longa (em inglês)
obra III: In a Heartbeat (Num Piscar de Olhos) (animação, curta-metragem) (spoilers na sinopse) (estadunidense, mas não precisa de legenda)
assista: trailer youtube
sinopse: Num Piscar de Olhos segue a história de Sherwin, um garoto que se apaixona pelo seu amigo Jonathan. (mais informações: wiki da animação (em inglês), wiki da animação (em português) e IMDb da animação (em inglês)
é isso, espero que eu consiga apresentar esses curtas pra alguém que ainda não os conhecia. qualquer erro no post me avisem, por favor. se cuidem <3
edição 1: link pra netflix do longa (obrigado u/orphss)
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2020.08.13 10:11 bobinhozinho relembrando três belíssimas obras LGBT+

introdução/contexto: essas obras são muito importantes pra mim. conheci elas num momento onde eu ainda tava confuso e não aceitando minha orientação sexual, e elas me ajudaram a passar dessa fase.
assim como fizeram comigo, as obras podem ajudar alguns de vocês que estão procurando validação ou com dificuldades sobre sua orientação sexual. mesmo os que não se encaixam nessa descrição, elas são bem feitas, legais e fofas, então recomendo-as de qualquer jeito.
obra I: Eu Não Quero Voltar Sozinho (curta-metragem) (spoilers na sinopse) (brasileiro)
assista: youtube
sinopse: Leonardo, um adolescente deficiente visual que muda de vida totalmente com a chegada de Gabriel, um novo aluno em sua escola. Ao mesmo tempo que tem que lidar com os ciúmes da amiga Giovana, Leonardo vive a inocência da descoberta do amor entre dois adolescentes gays. (mais informações: wiki do curta e IMDb do curta (em inglês))
obra II: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (longa-metragem) (spoilers na sinopse) (brasileiro, em português)
assista: trailer youtube(*) compre ou alugue (youtube filmes) netflix
*: aparentemente o vídeo dá pra ser assistido de boa, mesmo que de graça. qualquer problema eu tiro o link.
sinopse: Leonardo, um adolescente cego, tenta lidar com a mãe superprotetora ao mesmo tempo em que busca sua independência. Quando Gabriel chega na cidade, novos sentimentos começam a surgir em Leonardo, fazendo com que ele descubra mais sobre si mesmo e sua sexualidade. (adorocinema) (mais informações: wiki do longa e IMDb do longa (em inglês)
obra III: In a Heartbeat (Num Piscar de Olhos) (animação, curta-metragem) (spoilers na sinopse) (estadunidense, mas não precisa de legenda)
assista: trailer youtube
sinopse: Num Piscar de Olhos segue a história de Sherwin, um garoto que se apaixona pelo seu amigo Jonathan. (mais informações: wiki da animação (em inglês), wiki da animação (em português) e IMDb da animação (em inglês)
é isso, espero que eu consiga apresentar esses curtas pra alguém que ainda não os conhecia. qualquer erro no post me avisem, por favor. se cuidem <3
edição 1: link pra netflix do longa (obrigado u/orphss)
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2020.08.13 08:21 bobinhozinho relembrando três belíssimas obras LGBT+

introdução/contexto: essas obras são muito importantes pra mim. conheci elas num momento onde eu ainda tava confuso e não aceitando minha orientação sexual, e elas me ajudaram a passar dessa fase.
assim como fizeram comigo, as obras podem ajudar alguns de vocês que estão procurando validação ou com dificuldades sobre sua orientação sexual. mesmo os que não se encaixam nessa descrição, elas são bem feitas, legais e fofas, então recomendo-as de qualquer jeito.
obra I: Eu Não Quero Voltar Sozinho (curta-metragem) (spoilers na sinopse) (brasileiro)
assista: youtube
sinopse: Leonardo, um adolescente deficiente visual que muda de vida totalmente com a chegada de Gabriel, um novo aluno em sua escola. Ao mesmo tempo que tem que lidar com os ciúmes da amiga Giovana, Leonardo vive a inocência da descoberta do amor entre dois adolescentes gays. (mais informações: wiki do curta e IMDb do curta (em inglês))
obra II: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (longa-metragem) (spoilers na sinopse) (brasileiro, em português)
assista: trailer youtube(*) compre ou alugue (youtube filmes) netflix
*: aparentemente o vídeo dá pra ser assistido de boa, mesmo que de graça. qualquer problema eu tiro o link.
sinopse: Leonardo, um adolescente cego, tenta lidar com a mãe superprotetora ao mesmo tempo em que busca sua independência. Quando Gabriel chega na cidade, novos sentimentos começam a surgir em Leonardo, fazendo com que ele descubra mais sobre si mesmo e sua sexualidade. (adorocinema) (mais informações: wiki do longa e IMDb do longa (em inglês)
obra III: In a Heartbeat (Num Piscar de Olhos) (animação, curta-metragem) (spoilers na sinopse) (estadunidense, mas não precisa de legenda)
assista: trailer youtube
sinopse: Num Piscar de Olhos segue a história de Sherwin, um garoto que se apaixona pelo seu amigo Jonathan. (mais informações: wiki da animação (em inglês), wiki da animação (em português) e IMDb da animação (em inglês)
é isso, espero que eu consiga apresentar esses curtas pra alguém que ainda não os conhecia. qualquer erro no post me avisem, por favor. se cuidem <3
edição 1: link da netflix pro longa (obrigado u/orphss)
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2020.08.03 07:10 soncauan Estou interessado em uma garota mas sou um bosta

É o seguinte, senta que lá vem história:
Vou contextualizar vocês
Gostei por muito tempo de uma certa garota, achava ela muito bonita e tals, nunca tive chance com ela e fiquei preso nesse amor platônico por anos, cheguei até a perder chances com outras meninas por conta dela.
Quando senti que havia superado decidi não perder mais tempo com bobagens, se eu me interessasse por alguém iria tentar e se tomasse um fora esqueceria a mina e seguiria minha vida. Ok, consegui fazer isso, tomei muitos foras. Gostei de várias garotas legais e tals.
Sou bv, até aí nada demais, porém quanto mais o tempo passa bate um certo tipo de "desespero" maior, vocês sabem como é, porém nada que eu não consiga lidar.
O que nos leva à garota do título, conheci ela a mais ou menos 1 mês, fomos apresentados por um amigo em comum, ela trabalha em um lugar que eu vou lá só pra ver ela, (sei que estamos em quarentena, mas é bem rápido, as vezes esse amigo em comum também está lá e conversamos um pouco mais, porém com cuidado). Enfim ela começou a me seguir no Instagram logo de cara, trocamos umas mensagens, tentei ir pelo caminho do humor, fiz umas piadas e tals, achei o twitter dela, segui e ela me seguiu de volta, pedi o whatsapp dela (jogando verde sabe? tentando não deixar muito na cara, ela entendeu e me passou na hora).
Até aqui vocês ficaram com a parte boa, vamos aos delírios adolescentes agora, prossiga por sua conta e risco.
Como diz o título, sou um bosta, um cara muito tímido e inseguro, tenho medo das pessoas não gostarem do que faço ou falo e me acharem chato, incoveniente ou algo do tipo, mas tento ignorar esses sentimentos, tenho poucos amigos e nenhum deles é aquele amigão que fica sempre junto e trocando mensagem nem nada do tipo, o que me faz sentir sozinho as vezes, mas aí já é assunto pra outro tópico.
Essa garota é legal, quando conheci não achei ela muito bonita então achei que eu nem tentaria nada, mas conversamos e tal e acabei me interessando por ela, ela curte e comenta meus tweets e eu faço o mesmo com ela, pode ser pouco mas é a maior interação que tenho com alguém em muito tempo.
Agora depois de um tempo vejo que ela tem uma vida bem agitada, diferente de mim que sou cara que fica a maior parte do dia no vídeo-game.
Não sei se devo dar em cima dela, ela parece ter vários ficantes(o que é normal), e caso ela não queira ficar comigo nossa relação ficaria estranha, pelo menos pra mim, penso isso pq se eu não der em cima dela ela passaria a ser uma amiga em potencial, ela é legal, parece que ela me acha legal, talvez ela se torne essa "amigona" que seria legal ter e eu não ficasse tão sozinho mais.
Além do mais eu não sei dar em cima de garotas, talvez eu seja tão rejeitado pelo modo como eu faço, ainda mais pq sou muito tímido, nem sei como seria falar com ela.
Enfim, só estou escrevendo isso aqui pq é melhor que diário, pelo menos sei que alguém deve ler. Não vejo muito conselho pra essa situação, mas se você quiser falar alguma coisa fique à vontade, seria de grande ajuda.
Muito obrigado por ler até aqui e T+
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2020.07.11 04:19 AnonimoCM Tenho muitas pessoas por perto mas mesmo assim me sinto sozinho

É a primeira vez que eu escrevo aqui, eu não sei muito como funciona essa plataforma, mas enfim. Eu tenho ficado muito mal nos últimos anos, desde o começo de 2018 eu venho completamente destruído.
Tudo começou em 2017, eu tinha um canal de jogos no youtube, até consegui um certo público. Eu não gosto de usar a expressão ''eu era feliz e não sabia'' para falar sobre essa época pois apesar de em 2017 eu ter motivação e me sentir com mais motivos para estar aqui, eu já não me sentia uma pessoa muito agradável. Nesse tempo meus dias eram resumidos em acordar, ir pra escola, voltar pra casa, almoçar, ficar o dia todo no computador, tomar banho e dormir. Eu nunca fui uma pessoa muito estudiosa, acabei dando atenção para coisas erradas e reprovei esse ano, ouvi coisas que nunca vou esquecer na minha vida e que apesar das desculpas eu nunca vou deixar de levar em consideração. Apesar de um final ruim em 2017, foi um ano em que eu me sentia ''bem''.

Começando 2018 eu estava acabado, eu pensava muito em suicídio por conta de tudo que eu tinha ouvido, como se não tivesse salvação sabe? Eu sou uma pessoa que se autodestrói por coisas que quando tento desabafar com meus amigos eles soltam aquela famosa expressão ''existem coisas piores para se acontecer, a vida é mais difícil que isso'' e isso me faz sentir uma pessoa fraca. Mas voltando ao assunto, o ano de 2018 eu comecei da pior forma, mas isso tudo mudou quando eu conheci uma garota na minha nova turma. Ela era muito bonita, mas eu via além disso, eu achava ela uma pessoa agradável de ter por perto, uma pessoa engraçada e fofa, e foi isso que me destruiu mais.
Eu me aproximei dela, não sou uma pessoa muito tímida com garotas kkkkkk ela sempre me deixava claro que queria algo comigo, apesar de eu continuar abalado psicologicamente, ela era uma pessoa com quem eu acreditava na esperança de mim mesmo, ela me fez acreditar que alguém me amaria por quem eu era por quem ela conheceu em mim, e não uma relação igual amor de família sabe?
A coisa foi fluindo, nós ficamos muito próximos, mas sempre que eu chamava ela pra sair ela dizia que não dava mas que queria muito, eu estava completamente apaixonado por ela, ela me olhava de uma forma que me fazia sentir especial.
No ano de 2018 eu me tornei uma pessoa mais fria, mas tirando isso e o fato de eu ter me apaixonado, foi um ano completamente improdutivo, eu passava meus dias todos dormindo sem ter motivação para fazer nada, eu tinha alguns amigos e ninguém sabia desse meu ''eu interior''

No começo de 2019 eu fiquei sabendo por conta de umas amigas minhas e dela que ela estava ''fingindo'' gostar de mim para pagar de foda para os outros, e ligando os pontos tudo fazia sentido, ela me jogou para dentro da minha cova a partir do momento em que me bloqueou assim que ficou sabendo do assunto. Nós não tínhamos contato pois ela se mudou, estava difícil de superar de primeira, eu me sentia como se eu sempre fosse passar por isso se tentasse procurar por algum ''amor'', o que me deixou bastante triste foi ela ter continuado com esse joguinho mesmo depois de eu contar todos meus sentimentos mais profundos para ela.
Foi muito doloroso no começo mas em questão de 6 meses eu superei (pouco né kkkkkk) esse ano eu fiz muitas amizades, resolvi sair mais e tentar ficar com outras garotas para esquecer ela, não posso negar que deu muito certo, mas eu nunca vou esquecer tudo aquilo, a marca que ela me deixou, não ela, mas sim o que ela me fez entender de mim.
A partir do fato de eu descobrir que ser eu mesmo faria as pessoas me colocarem como um palhaço, eu decidi tentar mudar minha personalidade no máximo, para que alguém pudesse ter alguma admiração por mim, e foi isso que aconteceu, eu me tornei outra pessoa, mas não era eu mesmo, mas não me tornei um babaca, sempre tive muito respeito com todo mundo.
Me tornei mais popular, fiz muitos amigos, algumas garotas, mas nada que gerasse algum relacionamento sério, sempre escondendo minha dor interior por medo de ser aquela pessoa de novo e passar por aquilo mais uma vez. Eu sou uma pessoa que não vejo nenhuma ''habilidade'' em mim, não sou só eu que falo isso, mas todos que estão em minha volta.
Esse foi meu ano de 2019, uma porcaria que nem 2018, mas não teve nenhum acontecimento que me destruísse de uma vez, eu era aquela pessoa divertida, saia com os amigos, mas quando chegava em casa e me encontrava comigo mesmo sentia uma tristeza muito forte todos os dias. Eu não gosto de falar sobre ''depressão'' porque apesar de ter muitos registros familiares eu sou um adolescente, e mesmo que eu apresente sintomas eu não gosto de usar isso para cobrir quem eu sou. Eu não vejo motivos para eu ser assim, tudo passa mas eu sinto uma ferida enorme todos os dias, sempre que algo bom acontece na minha vida a minha mente me coloca pra baixo, eu sou uma pessoa que coisas consideradas ''pequenas'' me destroem com muita facilidade, e como eu disse lá em cima, isso me faz sentir fraco.
Eu no momento estou ouvindo Avenged Sevenfold e escrevendo esse texto que eu nem sei se alguém vai chegar até aqui, estou acabado, apesar de ter pessoas que dizem que eu posso contar com elas eu acredito que elas sempre vão usar da minha fraqueza para aumentar a minha dor. E de fato fazer esse texto enorme me ajudou bastante a liberar 3 anos de um coração preso. Eu sinto que isso nunca vai passar, todos falar quem é só uma ''fase'', mas eu não consigo me sentir melhor nunca

Para finalizar, o ano de 2020 ainda está na metade e eu já considero ele pior que o de 2018, não por conta da quarentena e não poder sair de casa, eu consigo lidar perfeitamente com isso. Mas eu perdi a pessoa mais importante para mim, e eu sinto que isso vai indo de pouco em pouco até eu não aguentar mais e finalmente dar um fim nisso tudo.
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2020.05.16 05:26 Patrick0102 Leia se tiver paciência...

Nem sei o que dizer... Então vou começar pelos meus sentimentos... Eu sempre fui um garoto bem tranquilo até então, não sei por qual motivo, mas meu sonho sempre foi casar, e ter uma vida normal, por mais que agora pela puberdade esse sentimento esteja se transformando infelizmente em algum tipo de desejo sexual... Eu sempre quis ser amado por alguém com a mesma intensidade que eu consigo amar, por mais que nenhuma conseguiu conquistar tal ato... De um tempo pra cá, eu tenho tentado me contentar com amizade apenas, já que quem eu amava não sentia o mesmo... Um sentimento de fato complicado de lidar... Mas, algo aconteceu, tenho a sensação de que ninguém consegue me entender, por mais que eu explique centenas de vezes, sempre surgem comentários como: "Isso não é amor, é só uma paixonite" ou então: "Isso é passageiro".
Isso está corroendo meus sentimentos, ainda mais por que a pessoa que amo disse tais palavras... Nunca fui de chorar, e estou me segurando pra não fazer, mas realmente dói, você que esteja lendo isso, seja legal com quem te ama, mesmo que não sinta o mesmo, a carga emocional de ser ignorado é muito pesada pra uma pessoa só, estou esgotado, mesmo sendo jovem... Eu só queria ter uma vida tranquila e amorosa com uma esposa que realmente me ame... E o que acontece em volta me deixa com uma sensação de como se fosse muito anormal tal sentimento. E daí que eu sou adolescente? Não vou deixar minha vida se resumir a ficar de pegação com qualquer uma só por esporte. Eu quero ser amado por alguém, quero amar alguém, é pedir de mais?. Eu.. Chorei.
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2020.02.15 00:12 lalalupsi123 Me sinto atraído por todo mundo e isso é uma merda

Eu sinceramente não sei se isso é normal ou não, nunca conversei sobre esse tipo de coisas com ninguém mas é foda. Eu costumava ignorar essas questões de sexualidade e desejo e amor e tals pq eu nunca soube lidar nem quis lidar com essas coisas. Mas a cada dia eu menos consigo evitar em pensar nessas coisas. É o t e m p o todo e eu não suporto isso, me atrapalha de verdade. Tenho 16 e sou muito tímido e inseguro, tenho até que uma boa quantidade de amigos mas praticamente todos vieram até mim, pq não consigo falar com as pessoas espontaneamente e por vontade própria. Ainda sou bvl e nunca fiquei nem namorei e essas coisas todas ai, Mas não foi por falta de oportunidade. Como eu disse, tenho dificuldade em falar com as pessoas e até mesmo com meus amigos, penso demais no que falo e sempre acabo falando merda, gaguejando ou trocando letras. Fui um pouco gago quando bem menor, mas frequentei fonoaudiólogo e aparentemente sumiu isso ai,mas parece que tô com isso denovo. Enfim, o problema é que eu ando num conflito sobre eu ser bi ou gay(já faz uns anos mas agora isso tá me atingindo mais, agora que tô no ensino médio onde tenho mais contato com esses bang), isso faz mal dms pra mim pq não quero e nego de todo jeito o fato de eu provavelmente eu ser gay pq seria horrível ter que fazer minha família lidar com isso e além da minha religião, e nem eu quero aceitar isso. Mas no fundo eu já vi que eu definitivamente ou quase não olho pra uma mulher e me atraio, mas por eu nunca ter ficado de vdd com uma eu ainda tenho dúvidas (nem com caras, mas claramente me atraio por eles) e aí vem problema. Eu não sei se vou ter alguma paz até experimentar e confirmar tudo isso ai, mas eu simplesmente não consigo, eu posso até querer ficar com alguém, Mas a partir do momento que a pessoa demonstra que gosta de mim ou quer ficar comigo eu travo completamente, e ou viro um babaca ou dou perdidos nela, pq sinto um nervoso enorme só de pensar em ficar com alguém,principalmente com mulheres. Como eu disse, algumas amigas e pans já me deram bola e um outro cara tambem, até pediram pra ficar mas eu sempre arrumava um desculpa ou enrolava pq simplesmente não conseguia levar isso pra frente, e também por ser muito seletivo e não me orgulho disso, e ainda tem o bang de eu manter minha sexualidade em segredo(entre meus amigos, acham que eu sou o fodao pegador heterotop que pega td mundo só pq me dão bola, Mas na verdade fujo de toda oportunidade). De verdade, eu não quero desesperadamente perder bvl, namorar e perder virgindade e tals, eu realmente tô de boa e não me afeta, mas aí vem outra coisa que me aflige mesmo. Eu não consigo ficar um momento só sem começar a pensar nessas coisas, imaginar coisas com amigos e pessoas que eu vejo na escola, ônibus e rua e qualquer cara bonitinho e garota que se encaixa num certo estilo que me atrai eu já fico louco imaginando nosso futuro e 1001 maneiras de se conhecer e ficarkkkkkkk ai Isso me atrapalha nos estudos e toma muito do meu tempo, ando pouco produtivo e essa minha cabeça cheia de pensamentos sujos que me enojam me deixam deprimido e mais tímido do que nunca. Não gosto mais nem que toquem em mim pq eu sei que vou surtar com pensamentos ruins que isso desecadeam, principalmente meus amigos. Queria saber de alguém tem ideia de como ficar livre de pensar em coisa pervertida toda hora e me sentir mais em paz, e lidar com algumas dessas minhas neuras ridículas de adolescente. Tudo oque eu quero é olhar pra alguém e não me ver no vapovapo(kk) com ela e coisa do tipo, e ficar tranquilo pensando eu coisas normais e agir mais normalmente. Cada vez mais eu acho que meus amigos e colegas me acham estranho pelo tanto que me afasto e dou um de "não me toque", de ficar 100% sem graças com qualquer piada relacionada a essas coisas ou toque, parece que me testam pra ver como vou reagir. É como se desconfiassem de mim(sobre minha sexualidade). Outra neura é essa. Sou incrivelmente paranoico e qualquer coisa ou modo de falar de alguém já se torna uma teoria gigantesca da conspiração contra mim e minha ansiedade e nervosismo aumenta. Bem, eu acho que é isso. Desculpa por esse texto, eu não sei se isso é coisa minha ou se todo mundo já passou por algo parecido. Provavelmente sou só recluso e fresco demais pra achar tudo isso um grande problema. Boa noite pessoar
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2020.02.14 23:57 lalalupsi123 Me sinto atraído por todo mundo e isso é uma merda

Eu sinceramente não sei se isso é normal ou não, nunca conversei sobre esse tipo de coisas com ninguém mas é foda. Eu costumava ignorar essas questões de sexualidade e desejo e amor e tals pq eu nunca soube lidar nem quis lidar com essas coisas. Mas a cada dia eu menos consigo evitar em pensar nessas coisas. É o t e m p o todo e eu não suporto isso, me atrapalha de verdade. Tenho 16 e sou muito tímido e inseguro, tenho até que uma boa quantidade de amigos mas praticamente todos vieram até mim, pq não consigo falar com as pessoas espontaneamente e por vontade própria. Ainda sou bvl e nunca fiquei nem namorei e essas coisas todas ai, Mas não foi por falta de oportunidade. Como eu disse, tenho dificuldade em falar com as pessoas e até mesmo com meus amigos, penso demais no que falo e sempre acabo falando merda, gaguejando ou trocando letras. Fui um pouco gago quando bem menor, mas frequentei fonoaudiólogo e aparentemente sumiu isso ai,mas parece que tô com isso denovo. Enfim, o problema é que eu ando num conflito sobre eu ser bi ou gay(já faz uns anos mas agora isso tá me atingindo mais, agora que tô no ensino médio onde tenho mais contato com esses bang), isso faz mal dms pra mim pq não quero e nego de todo jeito o fato de eu provavelmente eu ser gay pq seria horrível ter que fazer minha família lidar com isso e além da minha religião, e nem eu quero aceitar isso. Mas no fundo eu já vi que eu definitivamente ou quase não olho pra uma mulher e me atraio, mas por eu nunca ter ficado de vdd com uma eu ainda tenho dúvidas (nem com caras, mas claramente me atraio por eles) e aí vem problema. Eu não sei se vou ter alguma paz até experimentar e confirmar tudo isso ai, mas eu simplesmente não consigo, eu posso até querer ficar com alguém, Mas a partir do momento que a pessoa demonstra que gosta de mim ou quer ficar comigo eu travo completamente, e ou viro um babaca ou dou perdidos nela, pq sinto um nervoso enorme só de pensar em ficar com alguém,principalmente com mulheres. Como eu disse, algumas amigas e pans já me deram bola e um outro cara tambem, até pediram pra ficar mas eu sempre arrumava um desculpa ou enrolava pq simplesmente não conseguia levar isso pra frente, e também por ser muito seletivo e não me orgulho disso, e ainda tem o bang de eu manter minha sexualidade em segredo(entre meus amigos, acham que eu sou o fodao pegador heterotop que pega td mundo só pq me dão bola, Mas na verdade fujo de toda oportunidade). De verdade, eu não quero desesperadamente perder bvl, namorar e perder virgindade e tals, eu realmente tô de boa e não me afeta, mas aí vem outra coisa que me aflige mesmo. Eu não consigo ficar um momento só sem começar a pensar nessas coisas, imaginar coisas com amigos e pessoas que eu vejo na escola, ônibus e rua e qualquer cara bonitinho e garota que se encaixa num certo estilo que me atrai eu já fico louco imaginando nosso futuro e 1001 maneiras de se conhecer e ficarkkkkkkk ai Isso me atrapalha nos estudos e toma muito do meu tempo, ando pouco produtivo e essa minha cabeça cheia de pensamentos sujos que me enojam me deixam deprimido e mais tímido do que nunca. Não gosto mais nem que toquem em mim pq eu sei que vou surtar com pensamentos ruins que isso desecadeam, principalmente meus amigos. Queria saber de alguém tem ideia de como ficar livre de pensar em coisa pervertida toda hora e me sentir mais em paz, e lidar com algumas dessas minhas neuras ridículas de adolescente. Tudo oque eu quero é olhar pra alguém e não me ver no vapovapo(kk) com ela e coisa do tipo, e ficar tranquilo pensando eu coisas normais e agir mais normalmente. Cada vez mais eu acho que meus amigos e colegas me acham estranho pelo tanto que me afasto e dou um de "não me toque", de ficar 100% sem graças com qualquer piada relacionada a essas coisas ou toque, parece que me testam pra ver como vou reagir. É como se desconfiassem de mim(sobre minha sexualidade). Outra neura é essa. Sou incrivelmente paranoico e qualquer coisa ou modo de falar de alguém já se torna uma teoria gigantesca da conspiração contra mim e minha ansiedade e nervosismo aumenta. Bem, eu acho que é isso. Desculpa por esse texto, eu não sei se isso é coisa minha ou se todo mundo já passou por algo parecido. Provavelmente sou só recluso e fresco demais pra achar tudo isso um grande problema. Boa noite pessoar
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2019.11.25 20:10 Leitor-de-mente O que fazer com um coração partido?

Logo eu que sempre fui tão racional, que sempre teve os sentimentos contidos pra mim e por mim, logo eu fui me sentir perdidamente apaixonado por um outro alguém. Logo eu que sempre soube como lidar e sair de problemas, não sei mais como negociar com meu coração, com todo o amor que eu sinto por um outro alguém, todo esse sentimento por outra pessoa, que não é mais correspondido. Eu não sei mais o que fazer, eu amo uma pessoa que não me quer mais, e ela é uma das únicas razões e motivações pra eu continuar acordando todas os dias.. tenho um medo real de que quando eu perder esse sentimento, eu vou perder tudo. Me sinto uma adolescente de 13 anos com seu primeiro amor, talvez por que esse seja de fato meu primeiro grande amor, mas ficar sem ela, ficar longe dela, mesmo estando só num relacionamento amigavel, me machuca muito, muito mesmo. Não sei se tento essa reaproximação, se tento reconquistar ela, mesmo ela dizendo que não quer nada, se eu só aceito que sou um tolo sozinho e tento engolir todo meu sentimento goela a baixo.. já tentei a última opção, mas o sentimento sempre volta.. e parece que volta mais forte.
PS: Se você algum dia ler isso, Sol, eu sinto muito tua falta.. sei que a vida não foi boa pra você.. mas pra mim você sempre foi tudo, não pelo amor que me deu, mas por quem você realmente é. Espero que algum dia sinta de volta o que eu sinto por você. 7k
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2019.08.28 23:27 Batistandre Os Cortes

Eu sinto que hoje ela vai me levar.
Eu não sei explicar como eu sinto. Eu nunca soube, em todos os meus 26 anos de vida. No entanto, de alguma forma, eu consigo senti-la se aproximando, consigo saber que, naquela noite, eu serei visitado por ela. Esse tal sentimento é difícil de explicar. O tempo parece correr mais devagar, o mundo parece mais cinza. É um sentimento que faz com que eu me sinta pesado. Não é um peso físico, é algo dentro de mim, que parece pôr arames em volta da minha caixa de sentimentos. Sentimentos esses que se rasgam todas vez que tentam sair da caixa. Sorrir dói, chorar dói. Tudo dói. Eu me torno apagado, me movo automaticamente. Com o passar dos anos, de certa forma, o sentimento em si se tornou pior do que a visita dela. Eu imploro para que a noite chegue logo, para que ela possa vir, fazer o que precisa ser feito, e eu me sinta normal no dia seguinte. É o que sinto toda vez que esse sentimento vem. Qualquer coisa é melhor do que isso, até mesmo ela. Ao menos é o que eu penso até vê-la, até senti-la, quando então sou lembrado de que nela está o verdadeiro terror. É verdade que o cérebro nos faz esquecer as maiores dores e medos pelos quais passamos, do contrário enlouqueceríamos.
Talvez eu devesse começar pelo começo, certo? Eu recebo sua visita desde que me entendo por gente. Ela sempre foi uma constante na minha vida. Assim como meu pai sempre simplesmente esteve lá, ela também estava. Eu imagino que o sentimento que sinto antes de ela vir também estava, porque meu pai conta histórias de quando eu era bebê e haviam esses dias em que eu não parava de chorar. Segundo ele tudo começou em um dia que ele jamais vai esquecer, um dia que ele frequentemente categoriza como o pior e melhor da vida dele. O dia do meu aniversário, que também é o dia do aniversário de morte da minha mãe.
Sim, minha mãe morreu durante o parto. A gravidez dela foi complicada. Era uma gravidez de risco, pois ela tinha tinha 42 anos quando engravidou. Eu nasci prematuro, devido à certas complicações. Meu pai conta que a notícia da morte da minha mãe, vinda do médico obstetra responsável pelo parto, fez com que seu mundo inteiro desabasse. Ele diz que naquele momento ele teve a certeza de que nunca mais ia ser feliz de novo, de que nunca mais ia ser capaz de sorrir. Mas ele sorriu, e se sentiu o homem mais feliz do mundo, quando me viu deitado na incubadora quinze minutos depois. “Meu filho”, ele diz que pensou, e diz também que sabia que eu ia viver, e que a minha mãe ia viver através de mim.
Portanto, um ano depois, quando eu acordei chorando e continuei chorando ao longo do dia, ele diz que foi impossível não associar uma coisa à outra. Ele me levou ao médico, que disse que, a princípio, não havia nada de errado comigo. Eventualmente eu parei de chorar e dormi, talvez devido ao cansaço. Naquela noite foi quando aconteceu pela primeira vez. Meu pai diz que acordou com um grito horrível vindo do meu quarto. Inicialmente ele achou impossível que fosse eu, mas conforme ele levantou da cama e correu até o quarto, ouviu o grito lentamente se tornar um choro de bebê, a essa altura já bem familiar aos seus ouvidos. Ele entrou no quarto, me pegou no colo enquanto eu chorava descontroladamente, e sentiu a minha perna úmida. Foi quando ele viu o primeiro corte.
Deixe eu lhe falar sobre os Cortes.
Você já teve um daqueles cortes bobos, que não passam de uma fina linha vermelha na pele, mas que sangram e doem de um jeito desproporcional ao seu tamanho? Os meus Cortes são assim. Eles não são profundos, raramente passam de 3 cm de comprimento, ainda assim incomodam muito. Eles doem, claro, mas o que mais incomoda não é a dor, e sim o fato de que eles nunca cicatrizam. Eu ainda tenho o corte que meu pai viu na minha perna aquela noite. Ele está ali, na minha coxa, aberto como se tivesse recém sido feito. Ele, e todos os 98 que vieram depois dele, nunca se fecharam, nunca cicatrizaram.
Grande parte da minha vida eu passei procurando respostas, procurando maneiras de pôr fim no meu tormento, sem nunca obter sucesso. Eu e meu pai já tentamos de tudo, tanto para lidar com os Cortes quanto para lidar com ela. Procuramos respostas na ciência e na medicina, ao menos nos primeiros anos, antes mesmo de eu ter consciência da minha situação. Meu pai já me levou a incontáveis médicos, alguns diziam que eu tinha uma nova forma de diabetes, outros que eu tinha uma variação de hemofilia. Todos intrigados pela minha condição e todos incapazes de proporcionar uma solução.
Após anos de hospitais, médicos, procedimentos e exames, eu decidi que estava cansado daquilo tudo, e meu pai partilhava do meu cansaço. Nos voltamos então para a medicina alternativa, com homeopatia, medicina tradicional chinesa e hindu, hipnoterapia, terapia com quelação, enfim. Seja lá qual for o método que você está pensando, eu já tentei. Da medicina alternativa buscamos uma saída completamente espiritual. Conversamos com padres, gurus, pastores, médiuns, bruxos, babalorixás, até mesmo com um exorcista, um de verdade, sancionado pela igreja. Todos, naturalmente, acharam que tinha a resposta.
Gastamos muito dinheiro e tempo buscando uma solução e, de alguns anos para cá, ficou bem evidente que desistimos. Eu e meu pai nunca conversamos sobre essa desistência. Um dia voltamos de mais uma das diversas viagens que fizemos e, simplesmente, desistimos. No momento que sentamos para jantar aquela noite e meu pai me perguntou: “Você tem alguma ideia de faculdade ou quer fazer outra coisa?”, eu soube que havíamos desistido. Claro que ainda ficamos de olho em alguma eventual solução, mas poucas coisas tem potencial o suficiente para nos trazer uma nova esperança.
A minha infância foi complicada. Não por causa dos Cortes, e sim por causa das pessoas. Meu pai já foi acusado inúmeras vezes de abuso ou negligência, eu já fui tachado de suicida, maluco, esquisito. Tanto eu quanto meu pai aprendemos a lidar com as consequências da minha condição, os primeiros anos foram os mais complicados, depois eu entendi que precisava esconder os Cortes, ao menos da maioria das pessoas. Quando eu tinha 12 anos nós nos mudamos para uma outra cidade, e essa foi a melhor época da minha vida. Eu fiz vários amigos, me atrevo a dizer até mesmo fui semi popular, fui em festas, namorei várias garotas, vivi uma vida “normal” de adolescente. Poucas pessoas sabiam da minha condição, e as que sabiam normalmente ficavam com medo ou intrigadas.
Como falei antes, hoje tenho 99 desses cortes espalhados por diversas partes do meu corpo. Minha vida é difícil, sim. Eu sigo uma rotina que gira ao redor de band-aids, esparadrapos, gazes e ataduras. Não na esperança de curá-los, obviamente, nem mesmo tratá-los, já que eles nunca infeccionam, e sim de evitar que as coisas encostem neles, já que eles ardem bastante e sangram às vezes.
O fato é que todos esses cortes foram feitos por ela. Todos no meio da madrugada.
Eu não sei o que ela é, nunca conseguimos descobrir. E, antes que você diga, não, não é o fantasma da minha mãe. Chegamos a cogitar essa possibilidade, mas meu pai diz que a minha mãe era a alma mais bondosa que já pisou na terra e, mesmo morta, ela jamais seria capaz de algo do tipo. Ele não precisava dizer isso, porque eu tinha certeza de que não podia ser a minha mãe. Nunca senti o amor de uma mãe, dizem que a gente não faz nem ideia do que é amor de verdade até segurar um filho nos braços, e amor é, definitivamente, algo que eu não sinto vindo dela. O ódio que emana dela é tão poderoso, tão pungente e sufocante, que eu não acho possível que ela jamais tenha amado algo. É um ódio que jamais seria condizente com alguém que foi mãe, não condiz nem mesmo com alguém que foi humano um dia. Por isso não acho que ela seja um fantasma, ou espírito, assombração, aparição, qualquer coisa que você queira chamar. Acho que ela é algo além da nossa compreensão. Uma energia que toma forma, um monstro de outra dimensão, é inútil tentar entender, eu sei que já desisti faz muito tempo.
O sentimento que descrevi antes é sempre um prelúdio do que a noite vai me trazer. Eu sei que vou acordar no meio da noite, me sentindo sufocado e apavorado. Sei que vou ver algo surgir lentamente da escuridão do canto do quarto e que vou prometer para mim mesmo que dessa vez eu vou enfrentá-la, que dessa vez ao menos não vou gritar e chorar. A promessa é quebrada no segundo seguinte, no primeiro vislumbre que tenho dela. Tudo ao redor dela é escuridão e terror. Ela é alta, muito alta, infinitamente alta, parece querer tomar todo o quarto. A sua magreza absurda passa despercebida devido ao tamanho dos seus ossos. Seu rosto envolto em sombras e longos cabelos negros e finos que lhe caem da cabeça quase careca escondem um olhar de esgar e ódio além da compreensão humana. Não posso ver seus olhos, não é possível ver nada ao encarar o vórtice de pesadelo e agonia que é o seu rosto, mas consigo senti-los esquadrinhando a minha alma.
Eu choro e grito descontroladamente, sem forças para fazer qualquer coisa além de vê-la vir em minha direção. Ela não caminha, caminhar é algo humano demais para descrever o modo com ela se move. É como se ela simplesmente crescesse em minha direção. Ela me toca e, na beira da insanidade, tudo se torna terror. O intensidade do medo se torna absoluta, como medo fosse tudo que houvesse no mundo. É puro horror e desespero. Em sua mão grotescamente grande com dedos compridos e magros de pesadelo ela segura um objeto que eu não consigo descrever, meu cérebro simplesmente não processa sua forma, não entende sua cor. Olhar para ele me causa tontura, é como olhar para o mundo girando, é como olhar para a prova de que nada no mundo é real. Com esse objeto ela arranha minha pele, e então, milímetro por milímetro, eu sinto o corte se abrir. A dor é excruciante. Não há sentido em tentar explicar com palavras. É algo que não deveria existir, uma dor que não foi feita para ser sentida nesse mundo. No meio dos meus gritos de desespero o mundo se torna real de novo, e meu pai entra correndo pela porta do meu quarto, já com lágrimas nos olhos.
Esse cena se repete, outras 98 vezes. Não há um padrão para suas visitas, tudo que sei é que hoje será a última.
Eu não sei como eu sei. O sentimento, que já descrevi, hoje vem acompanhado de um certa finalidade. É como o entardecer, como as últimas notas audíveis de uma música que termina em um fade out, como ver o último episódio de uma série que você acompanha há muito tempo, como levantar a lata para tomar tomar um gole de refrigerante, sentir sua leveza, e saber que aquele gole será o último.
Assim que eu terminar de escrever isso vou dar boa noite para o meu pai, dar nele um último abraço, e ir me deitar. Pai, eu sei que você está lendo isso, então quero agradecer por tudo. Eu espero que minha partida traga à você algum conforto e que você possa finalmente seguir em frente. Deixo para você decidir se essa despedida deve ser compartilhada ou não.
Hoje, sabendo que vai ser a última vez, eu quase espero ansiosamente pela visita dela. Quase espero ansiosamente ver sua figura monstruosa e irreal surgir da escuridão do quarto e transformar meu mundo em pesadelo pela última vez.
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2019.08.27 04:15 lucius1309 VERGONHA NA CARA


Doritos com coca cola é a melhor combinação que descobri depois de cocaína com vodka. Claro que tanto uma como a outra me prejudicam, mas os danos da primeira são menores do que os danos da segunda, imagino eu. Logo eu, que não sou médico, professor, intelectual ou pensador. Logo eu, que sou um pedaço de merda ambulante que come, fala, demanda e busca resolver inconvenientes (quase sempre dos outros), claro que sem muito talento.
Um sujeito nada talentoso (no caso, eu).
Pra que talento se a gente pode fracassar em tudo que pegamos pra fazer?
Quase 30 nas costas e um sentimento de vazio de um adolescente. Personalidade ainda má formada, amigos distantes o bastante e instabilidade emocional. Colaboração com os demais seres humanos aqui nesse pedaço de Terra redonda (ou plana, dependendo da linha de pensamento) somente a partir do momento em que isso não exige muito esforço.
Quase um inútil completo. Quase um imbecil sem amor próprio. Olhando meu gato arranhar minha cama e sem motivação alguma para disciplinar.
"Não pode, Gatinha!" eu falo com ela na esperança que ela vá me entender. Se nem os humanos estão me entendendo, imagine os gatos. Tenho certeza que ela olha pra mim e vê mais um trouxa.
Mas chega de sentir pena de mim mesmo e de me humilhar para sei lá quantas pessoas que lerão esse texto. O objetivo aqui é ser abstrato e jogar no papel frases com desconexões complexas para que pareçam inteligentes e sensatas o bastante. Não espere grandes debates acerca do presidente da república ou da privatização dos Correios. Não espere de mim um instrumento particular de democratização do pensamento crítico. Tudo que faço aqui é tentar me salvar de mim mesmo, o que é cada vez mais difícil.
Estou passando por um processo doloroso na minha vida, depois de quase dois anos e meio sem verter uma gota de álcool pela minha garganta. Relembrando meu passado para que ele não volte a se repetir no futuro. Buscando entender os por quês de eu ter feito tudo o que fiz. Ressuscitando demônios passados e encarando-os de frente e de cara limpa.
Não está sendo fácil.
Nunca foi, na verdade.
Rapaz, se nem pro Neymar que é o Neymar tá sendo um ano fácil, imagina pra mim, um reles empresário que cuida de seres humanos tão ou até mais fudidos do que eu. Não posso me gabar da minha atual condição, evito me expor em redes sociais e se por um acaso estou triste, me tranco em casa e ouço música o bastante pra esquecer qualquer resquício de dor. "Uma hora ela deve ir embora.", penso eu, no auge da melancolia. Nenhuma lágrima sai dos meus olhos tem muito tempo, eu sinto que estou deixando de sentir as coisas, minha empatia está se esvaiando e não tenho motivação alguma para colocar ela de volta no lugar. Minha mãe está numa depressão fudida faz uns bons dois anos, já tentei de tudo e não vi resultado nela, e isso me frustra de uma certa forma. Não que eu esteja esperando um milagre, mas é doloroso ver a mulher que me carregou nove meses na barriga e me aguentou aprontando pra caralho ir definhando aos poucos. É muito triste se esforçar em alguma coisa e não ver resultado algum. É ainda pior esperar de alguma pessoa que ela desenvolva algum amor próprio e ela não reagir. Outro dia ela esqueceu a panela no fogo, a comida queimou e encontrei ela na cozinha ajoelhada chorando como se tivesse acontecendo um grande desastre.
E eu sei que está. Mas eu tento fingir que não. Tento fingir que está tudo sob controle.
Não está absolutamente nada sob controle.
Foi até dito por uma pessoa que não me conhece muito bem e ficou sabendo do caso da minha mãe e do meu caso com alcoolismo e disse pra uma outra pessoa que eu sou um cara muito forte por estar vendo minha mãe definhar e não estar metendo cachaça bem fundo no meu rabo. Que eu sou um cara forte o bastante pra lidar com meus problemas de cara limpa. Mal sabe que tá tudo uma bela merda. Ou sabe, mas finge que não sabe pra tentar me bajular de alguma forma pra conseguir alguma coisa que não sei ainda.
Não que eu racionalize muito, mas é mais ou menos isso que acontece em 90% dos casos.
Por outro lado, eu estou conseguindo assumir algumas coisas. Principalmente sobre justificativas. Eu sempre me justifiquei muito pra poder fazer todas as merdas que fiz, eu sempre quis culpar meu pai, meu irmão e até minha mãe, culpava minha personalidade e também culpava qualquer mulher que ousasse dar a buceta pra mim por uma ou mais noites. Eu sempre jogava a responsabilidade de tudo que fazia no cu dos outros. Mas esses dias eu tava sozinho em casa conversando com a gata (ela é uma excelente ouvinte) e bati no peito dizendo com força: "TODAS AS MERDAS QUE EU FIZ, FIZ POR QUE QUIS. EU CHEIRAVA POR QUE GOSTAVA DA BRISA. EU BEBIA POR QUE GOSTAVA DE FICAR BÊBADO. EU APRONTAVA O QUE APRONTAVA POR QUE GOSTAVA DA SENSAÇÃO. FIZ TUDO O QUE QUIS NUNCA POR CULPA DOS OUTROS, MAS SEMPRE PELO MESMO MOTIVO: EU GOSTAVA DA BRISA."
Isso me aliviou. E não que eu não goste da brisa hoje, muito pelo contrário. Mas uma força inexplicável me motiva a evitar ela. E isso talvez explique muita coisa que eu ainda não achei explicação, mas refuto de assumir com todas as letras que é algo fora da minha compreensão.
Meus textos são pedidos de ajuda revestidos de crônicas ou pensamentos esparsos em frases mal construídas com palavras difíceis.
Verborragia pura, baby.
Texto podre, revestido de bolor, pútrido e fétido bolor.
Não espero que ninguém estenda a mão pra mim, e na atual fase, qualquer um que desista de me atrapalhar já tá me ajudando muito. Tô tomando vergonha na cara aos poucos. Tô ficando velho e uma hora eu vou ter que amadurecer e me tornar um adulto formado e pronto pra vida. Que paga impostos e cuida do carro abastecendo com gasolina aditivada pra limpar o motor. Que lava o banheiro e estende as roupas no varal após baterem na máquina. Que empresta dinheiro pra sogra alugar um apartamento novo. Que doa as roupas para as pessoas que não tem nem onde cairem mortas. Que gasta somente o necessário com medo de uma possível recessão da economia instável do nosso país.
É libertador fugir do sentimento de culpa e de apego. É libertador poder decidir o rumo da própria vida. Enquanto não consigo isso, sigo comendo doritos e tomando coca cola enquanto a vergonha na cara vai aos poucos dando o ar da graça. Não que eu esteja dando o melhor de mim, não que eu esteja fazendo o melhor que eu posso. Muito pelo contrário. Eu acordo todos os dias, coloco uma calça jeans e um tênis e penso: "Deus, o que vem agora?" e muitas dessas vezes eu praguejo por não ter morrido enquanto dormia. Nas outras vezes eu simplesmente finjo que isso nunca aconteceu e nunca acontece.
Em plena luz da noite vivendo em rota de colisão comigo mesmo. Meu pior inimigo. Aquele que nunca descansa. Monstro insensível e sem tato algum. Pedaço de carne vagando sem rumo por aí. Um homem ordinário, no pior sentido da palavra. Vagando sem rumo por aí.
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2019.07.18 19:18 altovaliriano O Clube das Senhoras Mortas

Link: https://bit.ly/2JFSJ6B
Autor: Lauren (autodescrita como "dona de pre-gameofthrones e asoiafuniversity")

“Senhoras morrem ao dar à luz. Ninguém canta canções sobre elas.”
O Clube das Senhoras Mortas é um termo que eu inventei por volta de 2012 para descrever o Panteão de personagens femininas subdesenvolvidas em ASOIAF a partir da geração anterior ao início da história.
É um termo que carrega críticas inerentes a ASOIAF, que esta postagem irá abordar, em um ensaio dividido em nove partes. A primeira, segunda e a terceira parte deste ensaio definem o termo em detalhes. As seções subsequentes examinam como essas mulheres foram descritas e por que este aspecto de ASOIAF merece críticas, explorando a permeabilidade da trope das mães mortas na ficção, o uso excessivo de violência sexual ao descrever estas mulheres e as diferenças da representação do sacrifício masculino versus o sacrifício feminino na narrativa de GRRM.
Para concluir, eu afirmo que a maneira como estas mulheres foram descritas mina a tese de GRRM, e ASOIAF – uma série que eu considero como sendo uma das maiores obras de fantasia moderna – fica mais pobre por causa disso.
*~*~*~*~
PARTE I: O QUE É O CLUBE DAS SENHORAS MORTAS [the Dead Ladies Club]?
Abaixo está uma lista das mulheres que eu pessoalmente incluo no Clube das Senhoras Mortas [ou simplesmente CSM]. Esta lista é flexível, mas é geralmente sobre quem as pessoas estão falando quando falam sobre o CSM [DLC, no original]:
  1. Lyanna Stark
  2. Elia Martell
  3. Ashara Dayne
  4. Rhaella Targaryen
  5. Joanna Lannister
  6. Cassana Estermont
  7. Tysha
  8. Lyarra Stark
  9. A Princesa Sem Nome de Dorne (mãe de Doran, Elia, e Oberyn)
  10. Mãe sem Nome de Brienne
  11. Minisa Whent-Tully
  12. Bethany Ryswell-Bolton
  13. EDIT – A Esposa do Moleiro - GRRM nunca deu nome a ela, porém ela foi estuprada por Roose Bolton e deu à luz a Ramsay
  14. Eu posso estar esquecendo alguém.
A maioria do CSM é composta de mães, mortas antes de a série começar. Deliberadamente, eu uso a palavra "panteão" quando estou descrevendo o CSM, porque, como os deuses da mitologia antiga, estas mulheres normalmente exercem grande influência ao longo da vida de nossos atuais POVs e sua deificação é em grande parte o problema. As mulheres do CSM tendem a ser fortemente romantizadas ou fortemente vilanizadas pelo texto; ou em um pedestal ou de joelhos, para parafrasear Margaret Attwood. As mulheres do CSM são descritas por GRRM como pouco mais do que fantasias masculinas e tropes batidos, definidas quase que exclusivamente por sua beleza e magnetismo (ou falta disso). Elas não têm qualquer voz própria. Muitas vezes elas sequer têm nome. Elas são frequentemente vítimas de violência sexual. Elas são apresentadas com pouca ou nenhuma escolha em suas histórias, algo que eu considero como sendo um lapso particularmente notório quando GRRM diz que são nossas escolhas que nos definem.
O espaço da narrativa que é dado a sua humanidade e sua interioridade (sua vida interior, seus pensamentos e sentimentos, à sua existência como indivíduos) é mínimo ou inexistente, que é uma grande vergonha em uma série que foi feita para celebrar a nossa humanidade comum. Como posso ter fé na tese de ASOIAF, que as vidas das pessoas "tem significado, não sua morte", quando GRRM criou um círculo de mulheres cujo principal, se não único propósito, era morrer?
Eu restringi o Clube das Senhoras Mortas às mulheres de até duas gerações atrás porque a Senhora em questão deve ter alguma conexão imediata com um personagem POV ou um personagem de segundo escalão. Essas mulheres tendem a ser de importância imediata para um personagem POV (mães, avós, etc.), ou no máximo elas estão a um personagem de distância de um personagem POV na história principal (AGOT - ADWD +).
Exemplo #1: Dany (POV) – > Rhaella Targaryen
Exemplo #2: Davos (POV) – > Stannis – > Cassana Estermont
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PARTE II: "E AGORA, DIGA O NOME DELA."
Lyanna Stark, "linda e voluntariosa, e morta antes do tempo". Sabemos pouco sobre Lyanna além de quantos homens a desejaram. Uma figura tipo Helena de Troia, um continente inteiro de homens lutou e morreu porque "Rhaegar amou sua Senhora Lyanna". Ele a amava o suficiente para trancá-la em uma torre, onde ela deu à luz e morreu. Mas quem era ela? Como ela se sentiu sobre qualquer um desses eventos? O que ela queria? Quais eram suas esperanças, seus sonhos? Sobre isto, GRRM permanece em silêncio.
Elia Martell, "gentil e inteligente, com um coração manso e uma sagacidade doce." Apresentada na narrativa como uma mãe e uma irmã morta, uma esposa deficiente que não poderia dar à luz a mais filhos, ela é definida unicamente por suas relações com vários homens, com nenhuma história própria além de seu estupro e assassinato.
Ashara Dayne, a donzela na torre, a mãe de uma filha natimorta, a bela suicida, não temos quaisquer detalhes de sua personalidade, somente que ela foi desejada por Barristan o Ousado e Brandon ou Ned Stark (ou talvez ambos).
Rhaella Targaryen, Rainha dos Sete Reinos por mais de 20 anos. Sabemos que Aerys abusou e estuprou para conceber Daenerys. Sabemos que ela sofreu muitos abortos. Mas o que sabemos sobre ela? O que ela achou do desejo de Aerys de fazer florescer os desertos dorneses? O que ela passou fazendo durante 20 anos quando não estava sendo abusada? Como ela se sentiu quando Aerys mudou a corte de Rochedo Casterly por quase um ano? Não temos respostas para qualquer uma dessas perguntas. Yandel escreveu todo um livro de história de ASOIAF fornecendo muitas informações sobre as personalidades e peculiaridades e medos e desejos de homens como Aerys e Tywin e Rhaegar, então eu conheço quem são esses homens de uma forma que não conheço as mulheres no cânone. Não acho que seja razoável que GRRM deixe a humanidade de Rhaella praticamente em branco quando ele teve todo O Mundo de Gelo e Fogo para detalhar sobre personagens anteriores a saga, e ele poderia facilmente ter escrito uma pequena nota lateral sobre a Rainha Rhaella. Temos uma porção de diários e cartas e coisas sobre os pensamentos e sentimentos de rainhas medievais do mundo real, então por que Yandel (e GRRM) não nos informaram um pouco mais sobre a última rainha Targaryen nos Sete Reinos? Por que nós não temos uma ilustração de Rhaella em TWOIAF?
Joanna Lannister, desejada por ambos um Rei e um Mão do Rei e feita sofrer por isso, ela morreu dando à luz Tyrion. Sabemos do "amor que havia entre" Tywin e Joanna, mas detalhes sobre ela são raros e distantes. Em relação a muitas destas mulheres, as escassas linhas no texto sobre elas deixam frequentemente o leitor a perguntar, "bem, o que exatamente isso que dizer?". O que exatamente significa que Lyanna fosse voluntariosa? O que exatamente significa que Rhaella fosse consciente de seu dever? Joanna não é exceção, com a provocativa (ainda que frustrantemente vaga) observação de GRRM de que Joanna "governava" Tywin em casa. Joanna é meramente um esboço grosseiro no texto, como um reflexo obscuro.
Cassana Estermont. Honestamente eu tentei recordar uma citação sobre Cassana e percebi que não houve qualquer uma. Ela é um amor afogado, a esposa morta, a mãe morta, e não sabemos de mais nada.
Tysha, uma adolescente que foi salva de estupradores, apenas para sofrer estupro coletivo por ordem de Tywin Lannister. O paradeiro dela tornou-se algo como um talismã para Tyrion em ADWD, como se encontrá-la fosse libertá-lo da longa e negra sombra de seu pai morto, mas fora a violência sexual que ela sofreu, não sabemos mais nada sobre essa garota humilde exceto que ela amava um menino considerado pela sociedade westerosi como indigno de ser amado.
Quanto a Lyarra, Minisa, Bethany e as demais, sabemos pouco mais que seus nomes, suas gravidezes e suas mortes, e de algumas não temos sequer nomes.
Eu por vezes incluo Lynesse Hightower e Alannys Greyjoy como membras honorárias, apesar de que, obviamente, elas não estejam mortas.
Eu disse acima que as mulheres do CSM ou são postas em um pedestal ou colocadas de joelhos. Lynesse Hightower se encaixa em ambos os casos: foi-nos apresentada por Jorah como uma história de amor saída direto das canções, e vilanizada como a mulher que deixou Jorah para ser uma concubina em Lys. Nas palavras de Jorah, ele odeia Lynesse, quase tanto quanto a ama. A história de Lynesse é definida por uma porção de tropes batidas; ela é a “Stunningly Beautiful” “Uptown Girl” / “Rich Bitch” “Distracted by the Luxury” até ela perceber que Jorah é “Unable to support a wife”. (Todos estes são explicados no tv tropes se você quiser ler mais.) Lynesse é basicamente uma encarnação da trope gold digger sem qualquer profundidade, sem qualquer subversão, sem aprofundar muito em Lynesse como pessoa. Mesmo que ela ainda esteja viva, mesmo que muitas pessoas ainda vivas conheçam-na e sejam capazes de nos dizer sobre ela como pessoa, elas não o fazem.
Alannys Greyjoy eu inclui pessoalmente no Clube das Senhoras Mortas porque sua personagem se resume a uma “Mother’s Madness” com pouco mais sobre ela, mesmo que, novamente, não esteja morta.
Quando eu incluo Lynesse e Alannys, cada região nos Sete Reinos de GRRM fica com pelo menos uma do CSM. Foi uma coisa que se sobressaiu para mim quando eu estava lendo pela primeira vez – quão distribuídas estão as mães mortas e mulheres descartadas de GRRM, não é só em uma Casa, está em todos os lugares da obra de GRRM.
E quando digo "em toda a obra do GRRM," eu quero dizer em todos os lugares. Mães mortas em segundo plano (normalmente no parto) antes de a história começar é um trope que GRRM usa ao longo de sua carreira, em Sonho Febril, Dreamsongs e Armageddon Rag e em seus roteiros para TV. Demonstra falta de imaginação e preguiça, para dizer o mínimo.
*~*~*~*~
PARTE III: QUEM NÃO SÃO ELAS?
Mulheres históricas e mortas há muito tempo, como Visenya Targaryen, não estão incluídas no Clube das Senhoras Mortas. Por que, você pergunta?
Se você for até o americano comum na rua, provavelmente será capaz de lhe dizer algo sobre a mãe, a avó, a tia ou alguma outra mulher em suas vidas que seja importante para eles, e você pode ter uma ideia sobre quem eram essas mulheres como pessoas. Mas o americano médio provavelmente não poderá contar muito sobre Martha Washington, que viveu séculos atrás. (Se você não é americano, substitua “Martha Washington” pelo nome da mãe de uma figura política importante que viveu há 300 anos. Sou americana, então este é o exemplo que estou usando. Além disso, eu já posso ouvir os nerds da história protestando - sente-se, você está nitidamente acima da média.).
Da mesma forma, o westerosi médio deve (misoginia à parte) geralmente ser capaz de lhe dizer algo sobre as mulheres importantes em suas vidas. Na história da vida de nosso mundo, reis, senhores e outros nobres compartilharam ou preservaram informações sobre suas esposas, mães, irmãs e outras mulheres, apesar de terem vivido em sociedades medievais extremamente misóginas.
Então, não estou falando “Ah, meus deus, uma mulher morreu, fiquem revoltados”. Não é isso.
Eu geralmente limito o CSM às mulheres que morreram recentemente na história westerosi e que tiveram suas humanidades negadas de uma maneira que seus contemporâneos do sexo masculino não tiveram.
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PARTE IV: POR QUE ISSO IMPORTA?
O Clube da Senhoras Mortas é formado por mulheres de até duas gerações passadas, sobre as quais devemos saber mais, mas não sabemos. Nós sabemos pouco mais além de que elas tiveram filhos e morreram. Eu não conheço essas mulheres, exceto através do fandom transformativo. Eu conheci muito sobre os personagens masculinos pré-série no texto, mas cânone não me dá quase nada sobre essas mulheres.
Para copiar de outra postagem minha sobre essa questão, é como se as Senhoras Mortas existissem na narrativa do GRRM apenas para serem abusadas, estupradas, parir e morrer para mais tarde terem seus semblantes imutáveis moldados em pedra e serem colocadas em pedestais para serem idealizadas. As mulheres do Clube das Senhoras Mortas não têm a mesma caracterização e evolução dos personagens masculinos pré-série.
Pense em Jaime, que, embora não seja um personagem pré-série, é um ótimo exemplo de como o GRRM pode usar a caracterização para brincar com seus leitores. Começamos vendo Jaime como um babaca que empurra crianças de janelas (e não me entenda mal, ele ainda é um babaca que empurra crianças para fora das janelas), mas ele também é muito mais do que isso. Nossa percepção como leitores muda e entendemos que Jaime é bastante complexo, multicamadas e cinza.
Quanto a personagens masculinos mortos pré-série, GRRM ainda consegue fazer coisas interessantes com suas histórias, e transmitir seus desejos, e brincar com as percepções dos leitores. Rhaegar é um excelente exemplo. Os leitores vão da versão de Robert da história, de que Rhaegar era um supervilão sádico, à ideia de que o que quer que tenha acontecido entre Rhaegar e Lyanna não foi tão simples como Robert acreditava, e alguns fãs progrediam ainda mais para essa ideia de que Rhaegar era fortemente motivado por profecias.
Mas nós não temos esse tipo de desenvolvimento de personagens com as Senhoras Mortas. Por exemplo, Elia existe na narrativa para ser estuprada e morrer, e para motivar os desejos de Doran por justiça e vingança, um símbolo da causa dornesa, um lembrete da narrativa de que são os inocentes que mais sofrem no jogo dos tronos. . Mas nós não sabemos quem ela era como pessoa. Nós não sabemos o que ela queria na vida, como ela se sentia, com o que ela sonhava.
Nós não temos caracterização do CSM, nós não temos mudanças na percepção, mal conseguimos qualquer coisa quando se trata dessas mulheres. GRRM não escreve personagens femininas pré-série da mesma maneira que ele escreve personagens masculinos pré-série. Essas mulheres não recebem espaço na narrativa da mesma forma que seus contemporâneos masculinos.
Pensa na Princesa Sem Nome de Dorne, mãe de Doran, Elia e Oberyn. Ela era a única governante feminina de um reino enquanto a geração Rebelião de Robert estava surgindo, e ela também é a única líder de uma grande Casa durante esse período cujo nome não temos.
O Norte? Governado por Rickard Stark. As Terras Fluviais? Governadas por Hoster Tully. As Ilhas de Ferro? Governadas por Quellon Greyjoy. O Vale? Governado por Jon Arryn. As Terras Ocidentais? Governadas por Tywin Lannister. As Terras da Tempestade? Steffon, e depois Robert Baratheon. A Campina? Mace Tyrell. Mas e Dorne? Apenas uma mulher sem nome, ops, quem diabos liga, quem liga, por se importar com um nome, quem precisa de um, não é como se nomes importassem em ASOIAF, né? *sarcasmo*
Não nos deram o nome dela nem em O Mundo de Gelo e Fogo, ainda que a Princesa Sem Nome tenha sido mencionada lá. E essa falta de um nome é muito limitante - é tão difícil discutir a política de um governante e avaliar suas decisões quando o governante nem sequer tem um nome.
Para falar mais sobre o anonimato das mulheres... Tysha não conseguiu um nome até o A Fúria dos Reis. Apesar de terem sido mencionadas nos apêndices do livro 1, nem Joanna nem Rhaella foram nomeadas dentro da história até o A Tormenta de Espadas. A mãe de Ned Stark não tinha um nome até surgir a árvore genealógica no apêndice da TWOIAF. E quando a Princesa Sem Nome de Dorne conseguirá um nome? Quando?
Quando penso nisso, não posso deixar de pensar nesta citação: "Ela odiava o anonimato das mulheres nas histórias, como se elas vivessem e morressem só para que os homens pudessem ter sacadas metafísicas." Muitas vezes essas mulheres existem para promover os personagens masculinos, de uma forma que não se aplica a homens como Rhaegar ou Aerys.
Eu não acho que GRRM esteja deixando de fora ou atrasando esses nomes de propósito. Eu não acho que GRRM está fazendo nada disso deliberadamente. O Clube das Mulheres Mortas, em minha opinião, é o resultado da indiferença, não de maldade.
Mas esses tipos de descuidos, como a princesa de Dorne, que não têm nome, são, em minha opinião, indicativos de uma tendência muito maior - GRRM recusa dar espaço a essas mulheres mortas na narrativa, ao mesmo tempo em que proporciona espaço significativo aos personagens masculinos mortos ou anteriores à série. Esta questão, em minha opinião, é importante para a teoria espacial feminista - ou as maneiras pelas quais as mulheres habitam ou ocupam o espaço (ou são impedidas de fazê-lo). Algumas acadêmicas feministas argumentam que mesmo os “lugares” ou “espaços” conceituais (como uma narrativa ou uma história) influenciam o poder político, a cultura e a experiência social das pessoas. Essa discussão provavelmente está além do escopo desta postagem, mas basicamente argumenta-se que as mulheres e meninas são socializadas para ocupar menos espaço do que os homens em seus arredores. Assim, quando o GRRM recusa o espaço narrativo para as mulheres pré-série de uma forma que ele não faz para os homens pré-série, sinto que ele está jogando a favor de tropes misóginas ao invés de subvertê-las.
*~*~*~*~
PARTE V: A MORTE DA MÃE
Dado que muitas dos CSM (embora não todas) eram mães, e que muitas morreram no parto, eu quero examinar este fenômeno com mais detalhes, e discutir o que significa para o Clube das Senhoras Mortas.
A cultura popular tende a priorizar a paternidade, marginalizando a maternidade. (Veja a longa história de mães mortas ou ausentes da Disney, storytelling que é meramente uma continuação de uma tradição de conto de fadas muito mais antiga da “aniquilação simbólica” da figura materna.) As plateias são socializadas para ver as mães como “dispensáveis”, enquanto pais são “insubstituíveis”:
Isto é alcançado não apenas removendo a mãe da narrativa e minando sua atividade materna, mas também mostrando obsessivamente sua morte, repetidas vezes. […] A morte da mãe é invocada repetidamente como uma necessidade romântica [...] assim parece ser um reflexo na cultura visual popular matar a mãe. [x]
Para mim, a existência do Clube das Senhoras Mortas está perpetuando a tendência de desvalorizar a maternidade, e ao contrário de tantas outras coisas sobre o ASOIAF, não é original, não é subversivo e não é boa escrita.
Pense em Lyarra Stark. Nas próprias palavras de GRRM, quando perguntado sobre quem era a mãe de Ned Stark e como ela morreu, ele nos diz laconicamente: “Senhora Stark. Ela morreu”. Não sabemos nada sobre Lyarra Stark, além de que ela se casou com seu primo Rickard, deu à luz quatro filhos e morreu durante ou após o nascimento de Benjen. É outro exemplo de indiferença casual e desconsideração do GRRM para com essas mulheres, e isso é muito decepcionante vindo de um autor que é, em diversos aspectos, tão incrível. Se GRRM pode imaginar um mundo tão rico e variado como Westeros, por que é tão comum que quando se trata de parentes femininos de seus personagens, tudo o que GRRM pode imaginar é que eles sofrem e morrem?
Agora, você pode estar dizendo, “morrer no parto é apenas algo que acontece com as mulheres, então qual é o grande problema?”. Claro, as mulheres morriam no parto na Idade Média em percentuais alarmantes. Suponhamos que a medicina westerosi se aproxime da medicina medieval - mesmo se fizermos essa suposição, a taxa em que essas mulheres estão morrendo no parto em Westeros é excessivamente alta em comparação com a verdadeira Idade Média, estatisticamente falando. Mas aqui vai a rasteira: a medicina de Westerosi não é medieval. A medicina de Westerosi é melhor do que a medicina medieval. Parafraseando meu amigo @alamutjones, Westeros tem uma medicina melhor do que a medieval, mas pior do que os resultados medievais quando se trata de mulheres. GRRM está colocando interferindo na balança aqui. E isso demonstra preguiça.
Morte no parto é, por definição, um óbito muito pertencente a um gênero. E é assim que GRRM define essas mulheres - elas deram à luz e elas morreram, e nada mais sobre elas é importante para ele. ("Senhora Stark. Ela morreu.") Claro, há algumas pequenas minúcias que podemos reunir sobre essas mulheres se apertarmos os olhos. Lyanna foi chamada de voluntariosa, e ela teve algum tipo de relacionamento com Rhaegar Targaryen que o júri ainda está na expectativa de conhecer, mas seu consentimento foi duvidoso na melhor das hipóteses. Joanna estava felizmente casada, e ela foi desejada por Aerys Targaryen, e ela pode ou não ter sido estuprada. Rhaella foi definitivamente estuprada para conceber Daenerys, que ela morreu dando à luz.
Por que essas mulheres têm um tratamento de gênero? Por que tantas mães morreram no parto em ASOIAF? Os pais não tendem a ter mortes motivadas por seu gênero em Westeros, então por que a causa da morte não é mais variada para as mulheres?
E por que tantas mulheres em ASOIAF são definidas por sua ausência, como buracos negros, como um espaço negativo na narrativa?
O mesmo não pode ser dito de tantos pais em ASOIAF. Considere Cersei, Jaime e Tyrion, mas cujo pai é uma figura divina em suas vidas, tanto antes como depois de sua morte. Mesmo morto, Tywin ainda governa a vida de seus filhos.
É a relação entre pai e filho (Randyll Tarly, Selwyn Tarth, Rickard Stark, Hoster Tully, etc.) que GRR dá tanto peso em relação ao relacionamento da mãe, com notáveis exceções encontradas em Catelyn Stark e Cersei Lannister. (Embora com Cersei, acho que poderia ser arguir que GRRM não está subvertendo nada - ele está jogando no lado negro da maternidade, e a ideia de que as mães prejudicam seus filhos com sua presença - que é basicamente o outro lado da trope da mãe morta - mas esta postagem já está com um tamanho absurdo e eu não vou entrar nisso aqui.)
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PARTE VI: O CSM E VIOLÊNCIA SEXUAL
Apesar de suas alegações de verossimilhança histórica, GRRM fez Westeros mais misógino do que a verdadeira Idade Média. Tendo em conta que detalhes sobre violência sexual são as principais informações que temos sobre o CSM, por que é necessária tanta violência sexual?
Eu discuto esta questão em profundidade na minha tag #rape culture in Westeros, mas acho que merece ser tocado aqui, pelo menos brevemente.
Garotas como Tysha são definidas pela violência sexual pela qual passaram. Sabemos sobre o estupro coletivo de Tysha no livro 1, mas sequer aprendemos seu nome até o livro 2. Muitas do CSM são vítimas de violência sexual, com pouca ou nenhuma atenção dada a como essa violência as afetou pessoalmente. Mais atenção é dada a como a violência sexual afetou os homens em suas vidas. Com cada novo assédio sexual que Joanna sofreu em razão de Aerys, sabemos que por meio de O Mundo de Gelo e Fogo que Tywin rachou um pouco mais, mas como Joanna se sentiu? Sabemos que Rhaella havia sido abusada a ponto de parecer que uma fera a atacara, e sabemos que Jaime se sentia extremamente conflituoso por causa de seus juramentos da Guarda Real, mas como Rhaella se sentia quando seu agressor era seu irmão-marido? Sabemos mais sobre o abuso que essas mulheres sofreram do que sobre as próprias mulheres. A narrativa objetifica, ao invés de humanizar, o CSM.
Por que os personagens messiânicos de GRRM têm que ser concebidos por meio de estupro? A figura materna sendo estuprada e sacrificada em prol do messias/herói é uma trope de fantasia velha e batida, e GRRM faz isso não uma vez, mas duas (ou possivelmente três) vezes. Sério, GRRM? Sério? GRRM não precisa depender de mães estupradas e mortas como parte de sua história trágica pré-fabricada. GRRM pode fazer melhor que isso, e ele deveria. (Mais debates na minha tag #gender in ASOIAF.)
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PARTE VII: SACRIFÍCIO MASCULINO, SACRIFÍCIO FEMININO E ESCOLHA
Agora, você pode estar se perguntando: "É normal que os personagens masculinos se sacrifiquem, então por que as mulheres não podem se sacrificar em prol do messias? O sacrifício feminino não é subversivo?”
Sacrifício masculino e sacrifício feminino muitas vezes não são os mesmos na cultura popular. Para resumir - os homens se sacrificam, enquanto as mulheres são sacrificadas.
As mulheres que morrem no parto para dar à luz o messias não são a mesma coisa que os personagens masculinos fazendo uma última grande investida com armas em punho para dar ao Herói Messiânico a chance de Fazer A Coisa. Os personagens masculinos que se vão com armas fumegantes em mãos escolhem esse destino; é o resultado final da sua caracterização fazer isso. Pense em Syrio Forel. Ele escolhe se sacrificar para salvar um dos nossos protagonistas.
Mas mulheres como Lyanna, Rhaella e Joanna não tiveram uma escolha, não tiveram nenhum grande momento de vitória existencial que fosse a ápice de seus personagens; eles apenas morreram. Elas sangraram, elas adoeceram, elas foram assassinados - elas-apenas-morreram. Não havia grande escolha para se sacrificar em favor de salvar o mundo, não havia opção de recusar o sacrifício, não havia escolha alguma.
E isso é fundamental. É isso que está no coração de todas as histórias do GRRM: escolha. Como eu disse aqui,
“Escolha […]. Esta é a diferença entre bem e mal, você sabe disso. Agora parece que sou eu que tenho que fazer uma escolha” (Sonho Febril). Nas palavras do próprio GRRM, “Isso é algo que se vê bem em meus livros: Eu acredito em grandes personagens. Todos nós somente capazes de fazer grandes coisas, e de fazer coisas ruins. Nós temos os anjos e os demônios dentro de nós, e nossas vidas são uma sucessão de escolhas.” São as escolhas que machucam, as escolhas em que o bom e o mal são sopesados – essas são as escolhas em que “o coração humano [está] em conflito consigo mesmo”, o que GRRM considera “a única coisa que vale a pena escrever sobre”.
Homens como Aerys, Rhaegar e Tywin fazem escolhas em ASOIAF; mulheres como Rhaella não têm nenhuma escolha na narrativa.
GRRM acha que não vale a pena escrever sobre as histórias do Clube das Senhoras Mortas? Não houve nenhum momento na mente do GRRM em que Rhaella, Elia ou Ashara se sentiram em conflito em seus corações, em nenhum momento eles sentiram suas lealdades divididas? Como Lynesse se sentiu escolhendo concubinato? E sobre Tysha, que amou um garoto Lannister, mas sofreu estupro coletivo nas mãos da Casa Lannister? Como ela se sentiu?
Seria muito diferente se soubéssemos sobre as escolhas que Lyanna, Rhaella e Elia fizeram. (O Fandom frequentemente especula sobre se, por exemplo, Lyanna escolheu ir com Rhaegar, mas o texto permanece em silêncio sobre este assunto mesmo em A Dança dos Dragões. GRRM permanece em silêncio sobre as escolhas dessas mulheres.)
Seria diferente se o GRRM explorasse seus corações em conflito, mas não ficamos sabendo de nada sobre isso. Seria subversivo se essas mulheres escolhessem ativamente se sacrificar, mas não o fizeram.
Dany provavelmente está sendo criada como uma mulher que ativamente escolhe se sacrificar para salvar o mundo, e acho isso subversivo, um esforço valoroso e louvável da parte da GRRM lidar com essa dicotomia entre o sacrifício masculino e o sacrifício feminino. Mas eu não acho que isso compensa todas essas mulheres mortas sacrificadas no parto sem escolha.
*~*~*~*~
PARTE VIII: CONCLUSÕES
Espero que este post sirva como uma definição funcional do Clube das Senhoras Mortas, um termo que, pelo menos para mim, carrega muitas críticas ao modo como a GRRM lida com essas personagens femininas. O termo engloba a falta de voz dessas mulheres, o abuso excessivo e fortemente ligado ao gênero que sofreram e sua falta de caracterização e arbítrio.
GRRM chama seus personagens de seus filhos. Eu me sinto como essas mulheres mortas - as mães, as esposas, as irmãs - eu sinto como se essas mulheres fossem crianças natimortas de GRRM, sem nada a não ser um nome em uma certidão de nascimento, e muito potencial perdido, e um buraco onde já houve um coração na história de outra pessoa. Desde os meus primeiros dias no tumblr, eu queria dar voz a essas mulheres sem voz. Muitas vezes elas foram esquecidas, e eu não queria que elas fossem.
Porque se elas fossem esquecidas - se tudo o que havia para elas era morrer - como eu poderia acreditar em ASOIAF?
Como posso acreditar que “a vida dos homens tem significado, não sua morte” se GRRM criou este grupo de mulheres meramente para ser sacrificado? Sacrificado por profecia, ou pela dor de outra pessoa, ou simplesmente pela tragédia em tudo isso?
Como posso acreditar em todas as coisas que a ASOIAF representa? Eu sei que GRRM faz um ótimo trabalho com Sansa, Arya e Dany e todos os outros POVs femininos, e eu o admiro por isso.
Mas quando a ASOIAF pergunta, “o que é a vida de um garoto bastardo perante um reino?” Qual é o valor de uma vida, quando comparada a tanta coisa? E Davos responde, suavemente, “Tudo”… Quando ASOIAF diz que… quando a ASOIAF diz que uma vida vale tudo, como as pessoas podem me dizer que essas mulheres não importam?
Como posso acreditar em ASOIAF como uma celebração à humanidade, quando a GRRM desumaniza e objetifica essas mulheres?
O tratamento dessas mulheres enfraquece a tese central da ASOIAF, e não precisava ser assim. GRRM é melhor do que isso. Ele pode fazer melhor.
Eu quero estar errada sobre tudo isso. Eu quero que GRRM nos conte em Os Ventos do Inverno tudo sobre as escolhas de Lyanna, e eu quero aprender o nome da Princesa Sem Nome, e eu quero saber que três mulheres não foram estupradas para cumprir uma profecia da GRRM. Eu quero que GRRM sopre vida dentro delas, porque eu o considero o melhor escritor de fantasia vivo.
Mas eu não sei se ele fará isso. O melhor que posso dizer é eu quero acreditar.
[...]
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2019.05.13 00:00 lucius1309 COMO NOSSOS PAIS


A vida passa muito rápido, quando damos conta já estamos velhos demais pra retornarmos àquele momento mágico que já se passou (e que possivelmente não vai voltar mais). Eu tentei de tudo pra me descobrir, pra preencher o meu vazio interior, mas por enquanto ainda sigo sem respostas pra isso.
Talvez não encontre nunca.
Dizem que o destino da vida é o caminho, e talvez estejam certos, porque se a gente conseguisse aquilo que a gente quer, a vida perderia a graça. Estar vivo é como ser um gato, e a felicidade é como um barbante. O gato está sempre tentando pegar o barbante, nunca consegue por completo, o toca eventualmente, mas nada além de suspiros de sucesso. Nada além do quase. Essa palavra destruidora de sonhos. Ninguém lembra do segundo colocado, nunca. Bater na trave não é a meta. Infelizmente não é possível que todos sejamos vencedores.
São muitos seres humanos para poucos prêmios de primeiros lugares.
Pra falar de uma maneira honesta, a grande maioria das pessoas do mundo não vai deixar sua passagem registrada por aqui, a maioria não é famosa, nem rica, não vai deixar nenhum legado importante. De fato, dentro de mais três ou quatro gerações, as pessoas nos esquecerão por completo. Não seremos nada, nem lembrança. Somente restos mortais deteriorando em algum cemitério.
Lidar com isso tem sido a minha dificuldade, talvez. Saber que a minha existência não passa de mero acaso, de que estou por aqui não por um propósito maior, mas simplesmente por ação genética.
Vamos colocar desse jeito:
Meu pai é um cara fudido emocionalmente, conheceu minha mãe que também é uma fudida emocionalmente, claro que meu pai mentiu bastante pra conquistar ela, ele só queria uma foda sem compromisso, mas as coisas foram acontecendo, o sexo foi se tornando cada vez mais constantes, vieram as brigas e depois as reconciliações, minha mãe tentava se afastar do meu velho, mas a lábia dele era boa demais. Não dava certo. Um belo dia, o espermatozoide do meu pai fecundou a minha mãe e ela engravidou do meu irmão, e depois de mim e depois de ninguém mais.
Mera situação biológica, meus amigos.
Possivelmente meu filho vai ser um fudido emocionalmente também, e a mulher que decidir passar o resto da vida do meu lado também será, e a sociedade vai continuar caminhando sem alteração nenhuma. Vão haver sentimentos, perdas, conquistas, bons empregos, carros do ano, roupas da moda, amigos cada vez mais raros, fracassos, vitórias e tudo permanecerá no seu devido lugar, como sempre permaneceu.
Nossos pais nos criaram para sermos vencedores, e nos decepciona demais saber que agora somos todos coadjuvantes nas nossas próprias vidas. Ninguém nos alertou das derrotas, das mágoas, tristezas, perdas, alcoolismo, unhas encravadas, divórcios, assassinatos, ataques cardíacos, overdose, pobreza na África, acidentes de carro, cirrose, suícidio ou comida vencida. Fomos criados em redomas de vidro, sendo protegidos de tudo e de todos, ignorando qualquer sentimento de remorso ou culpa, escutando os mesmos caras que nossos pais escutavam, nos discos, livros, arte, cinema e etc, achando que aquele lugar nunca sairia dali, achando que nossos pais estariam pra sempre dos nossos lados.
E então veio a adolescência, e com ela o afloramento de várias inseguranças físicas, psicológicas e mentais, misturadas com muita raiva e falta de amor próprio, vontade de fazer tudo e de não fazer nada ao mesmo tempo, tédio e preguiça, tiros de festim querendo mudar um mundo que nunca quis ser mudado. Brigas com os pais, festas, drogas, álcool e mais brigas, música pesada, Nietzsche, Bukowski, Californication (o seriado e a música do Red Hot), cabeça raspada, mais álcool e mais drogas, entrando numa espiral aparentemente infinita. Achando que o mundo estava errado, esquecendo sempre do mais óbvio: olhar pra mim mesmo.
Meus pais estão cada vez mais velhos e cansados, minha mãe em uma depressão profunda em que eu particularmente já não vejo como reverter, meu pai trabalhando como nunca e ganhando o básico pra se sustentar,e em vista disso tudo, posso afirmar que o fim deles está cada vez mais próximo. Tenho que acostumado com a ideia de ser um cara com quase 30 que mora sozinho e trabalha pra caralho pra pagar contas, o sonho de publicar meus livros está cada vez mais enterrado, assim como meus pais e meus avós enterraram os sonhos deles, e vejam, não me sinto tão mal com isso.
O que me entristece é saber que vou acabar como meus pais estão acabando, deteriorando enquanto o mundo tenta ainda dar seus suspiros, que sabemos, são efêmeros.
Eu acreditava nos meus heróis, mas agora percebi que todos morreram de overdose de drogas ou excesso de cachaça. Assim como eu iria morrer. E como posso morrer se eu voltar a descer todas as minhas frustrações numa garrafa. Antes eu achava que o mundo não me entendia, agora eu percebo que sou eu quem não entendo o mundo.
Não é uma questão de ser o campeão ou o melhor ou coisa assim, só é injusto demais vermos esses corpos todos rastejando por aí, dia após dia, esperando que com mais dois mil reais na conta por mês as coisas vão melhorar, ou comer a buceta da moça mais linda vá resolver, ou o maior carro com o maior equipamento de som possa esconder toda a tristeza que aquela pessoa sente.
A maioria está só intoxicada pra não precisar ouvir seus próprios barulhos. Quanto mais surdo e cego, melhor.
Eu ainda não encontrei as respostas e nunca as vou encontrar, sigo chutando pedrinhas na rua, me masturbando, ouvindo discos, enchendo minha conta bancária, comendo fora e consequentemente ganhando peso, batendo em teclas e esperando que Deus mude alguma coisa. Apesar de ter 99% de certeza que ele não vai fazer isso.
Ele tá ocupado demais resolvendo coisas mais importantes.
Como o caso daquele cara que reza todas as noites pra ganhar na loteria. Ou o cara que sempre que acorda de ressaca diz: "Deus, se eu sair dessa, prometo nunca mais beber." e volta a beber no dia seguinte. Ou fazendo aquela adolescente de 18 anos conseguir tirar a sua habilitação pra andar no carrinho que papai deu-lhe de presente por passar numa faculdade particular.
A maioria das pessoas está ocupada demais pensando em assuntos inúteis demais. Como se inteligência formasse pessoas melhores, ou tornasse-as portadoras de um excelente caráter. O mundo está girando e essa porra de planeta ainda irá pegar fogo em sua própria rotação.
Aí não restará mais nada.
Quanto a mim, estarei no sofá da minha sala, com um notebook de quinhentas pratas no colo, escrevendo textos ruins para imbecis interessados em lê-los. Ou simplesmente escrevendo para as paredes. O que dá quase na mesma. Ou melhor, o que dá na mesma.
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2019.03.14 02:32 jumalinverni Sou professor de escola e publiquei essa semana um vídeo (em parceria com outro professor) que fala sobre adolescentes e violência. Queria compartilhar com vocês meus dois centavos sobre o caso trágico de Suzano.

Isac Ness e eu publicamos nessa semana um vídeo sobre adolescência e violência. Puxamos a discussão a partir de Deadpool (um filme que nós dois gostamos) e tentamos entender os adolescentes que se encantam com o canto da sereia da violência. Os tiroteios de hoje transformam tristemente o significado nosso vídeo. Tanto eu quanto Isac somos professores. Sabemos o que é estar dentro de uma escola várias horas por dia. Sabemos o que é lidar com os alunos, com suas famílias, seus problemas, suas limitações.
Não posso falar pelo Isac, então agora falo somente por mim, embora ele talvez pense parecido.
A maior parte das escolas é insalubre. Faltam recursos materiais, faltam recursos humanos. Felizmente, minha realidade atual não é exatamente essa, mas pelas escolas em que já trabalhei e que já visitei, pude perceber que falta muita coisa.
Falta perspectiva para a maior parte dos alunos, que tem dificuldade para aprender os conteúdos de forma significativa para suas vidas. Que tem dificuldade de ver no ensino a possibilidade de construir uma realidade melhor pra si e para a sociedade que os cerca. E se dermos uma olhada no número de alunos de escolas públicas que passa no ENEM e no Vestibular, pode parecer que muitas vezes tem um fundo de razão. Vou colocar no final do texto alguns links a respeito.
Faltam perspectivas para os professores, que precisam trabalhar muito mais do que é saudável. 40% dos professores desenvolvem depressão, a maioria sem acesso a tratamento. A maioria desenvolve ansiedade. Transtornos psicológicos são a maior causa de afastamento da nossa profissão. Nosso conhecimento é vilipendiado por terraplanistas e afins, que desvalorizam o estudo em virtude de correntes de whattsapp e manipulações políticas da pior espécie (como o Escola sem Partido). Autoridades políticas ocupam-se mais em jogar alunos e famílias contra os professores do que de trabalhar para aumentar os recursos disponíveis e melhorar sua aplicação.
Estamos todos no mesmo barco, mas não remamos juntos. Usamos nossos remos para bater uns nos outros enquanto seguimos à deriva, e os capitães do navio aproveitam os privilégios da primeira classe.

O vídeo que eu e Isac fizemos demonstra como às vezes a violência está associada com a necessidade de pertencimento a um grupo. Durante os últimos anos, as crianças viram nos alunos exemplos dolorosos de discursos e atitudes violentas motivadas por pertencimento a grupos. Gestos e palavras que cultuam o ódio aos inimigos. As crianças imitam os adultos. Não acho que o episódio do tiroteio de hoje seja causado diretamente por isso, mas é fato que atitudes abjetas como essas encontram solo fértil em um país tomado pela cultura do ódio ao outro.

Discordar é ótimo, desrespeitar é inaceitável no espaço do meu canal. No vídeo que fiz sobre "Como dar um voto consciente", tive que pedir para que os autores de alguns comentários modificassem ou apagassem trechos que estavam sendo desrespeitosos aos outros. Os comentários são geralmente muito civilizados, então mal posso imaginar o que passar os mods aqui do sub. Um comentário particularmente marcante: um opositor de Bolsonaro estava agredindo verbalmente os seus eleitores. Pedi que ele reformulasse seu comentário de maneira mais respeitosa. Ele ficou indignado comigo e passou a me hostilizar em outros canais em que eventualmente comento. Sua justificativa: Bolsonaro prega a violência, e por isso ele se sentiu justificado a me hostilizar, uma vez que eu não permiti que ele fosse hostil com eleitores do Bolsonaro no meu vídeo.

Eu sei que é piegas, eu sei que é clichê, eu sei que é até um pouco óbvio, mas às vezes o é necessário lembrar do óbvio. O Brasil elegeu um presidente cujo gesto repetido ao longo da campanha consiste em fazer uma arma com as mãos. O fato de que esse gesto fez tanto sucesso é sintomático de algo muito sério. De parte a parte. Precisamos remar juntos. Precisamos de paz e amor. Violência gera violência e alguém precisa quebrar esse ciclo. Desigualdade gera violência, e nós temos muita desigualdade. Fingir que a desigualdade não existe gera mais desigualdade. E desigualdade gera violência, que gera...

É praticamente um consenso que o acesso a educação e a oportunidades são duas das melhores formas de combater a desigualdade e a violência. O fato de que uma violência tão grande ocorre nos espaços dedicados à educação é um alerta que precisa ser ouvido. Os professores estão doentes. Os alunos, sem muitas perspectivas. Se quisermos começar a romper o ciclo de violência e de desigualdade, esses são dois ótimos pontos para se começar.


Alguns links sobre os professores estarem doentes: http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2012/10/40-dos-professores-afastados-por-saude-tem-depressao-aponta-estudo.html
https://novaescola.org.bconteudo/3373/burnout-depressao-ansiedade-como-desatar-esses-nos
http://www.apeoesp.org.bnoticias/noticias-2017/transtornos-emocionais-sao-as-principais-causas-de-afastamento-de-professores/

Alguns links sobre a desigualdade nas escolas:
https://exame.abril.com.bbrasil/o-abismo-entre-escolas-publicas-e-privadas/
https://g1.globo.com/educacao/noticia/das-100-escolas-com-maior-nota-media-no-enem-2015-97-sao-privadas.ghtml
https://www1.folha.uol.com.beducacao/2018/07/matematica-agrava-abismo-entre-escolas-publicas-e-privadas-no-enem.shtml
https://jornal.usp.batualidades/resultados-do-enem-aprofundam-diferencas-entre-escolas-publicas-e-privadas-diz-especialista/
(Não sei qual a flair mais adequada, "desabafo", "política", "conteúdo original", "ei, brasil". Coloquei essa última, mas peço aos mods que se acharem adequado, mudem para outra.)
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2019.02.26 04:20 lauraguedes To apaixonada pelo amigo do meu ex

Tenho 19 anos e comecei a namorar o B quando tinha 16. Foi meu primeiro namoro e eu estava muito feliz com a ideia de um amor recíproco, e como uma adolescente besta, achei que fosse durar pra sempre, me esforçando o máximo pra que isso, de fato, acontecesse. O problema é: o B era um cara estranho, tinha surtos de agressividade, me tratava mal e não sabia lidar com frustrações. Além disso, era filho único e muito mimado pelos pais. Após dois anos nesse relacionamento abusivo (que não darei detalhes, pois aconteceu muita coisa horrível comigo), decidi por um fim nessa história e terminei com B em março de 2018. Durante o relacionamento, conheci os amigos de B, que são bacanas, tem muito a ver comigo e apesar das tentativas do B de me vilanizar por simplesmente ter terminado com ele, os nossos amigos sempre souberam toda a verdade. Bom, o B guarda mágoa de mim até hoje e nos rolês que eu to, ele deixa de sair com os amigos, sendo que eu sempre mantive o respeito por ele, apesar de tudo que ele me fez. Recentemente, eu comecei a sair com o melhor amigo dele, o L. Ele é um cara super legal e as coisas tão indo bem. Me sinto ótima quando estamos juntos e acho péssimo termos que esconder isso tudo com receio do B surtar e fazer algo louco (tipo se cortar, como ja fez antes). Estou muito frustrada, parece que nunca vou me livrar de B sendo um chato na minha vida, mesmo eu tendo escolhido que ele não faça mais parte dela. Também odeio botar o L nessa posição de escolher entre eu e o melhor amigo dele, mas ao mesmo tempo só quero ser feliz e poder contar pra todos que estamos juntos.
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2019.01.06 09:31 franciscagiselle Ensinando seus filhos sobre os Santos.

Quando meu marido e eu nos tornamos ortodoxos orientais sete anos atrás, eu sabia que tinha chegado em casa. No entanto, eu não sabia como fazer minha própria casa refletir minha nova fé . Esta série - "Então eu sou ortodoxo, agora o que?" - é baseada nas perguntas que fiz a mim mesmo nos primeiros anos após a nossa crisma: Como eu poderia tornar a nossa casa uma "pequena igreja"? Como eu poderia instruir meus filhos em uma fé que eu estava apenas começando a explorar? Depois de algumas experiências, conversas com mães ortodoxas mais velhas e mais sábias, leituras e instruções de pais espirituais, encontrei maneiras de criar um lar ortodoxo. Espero que esta série possa fornecer incentivo e idéias práticas para novos convertidos e um fórum para que famílias ortodoxas mais experientes possam compartilhar suas práticas.
Minha mãe é muito mais criativa do que eu. Alguns anos atrás, quando o Big Brother tinha cerca de um ano de idade, ela fez dele um belo livro. Este livro foi uma introdução à sua família - seus nomes, uma foto deles e uma foto deles com meu filho. Ele adorava ver fotos de sua avó e vovô, tias e tios, mamãe e papai.
Ele adorava ver sua família.
Quando nos tornamos cristãos ortodoxos sete anos atrás, eu estava um pouco incerto sobre como lidar com os santos. Quero dizer, eles pareciam tão estranhos à minha educação protestante. Quem eram essas pessoas cujos ícones enchiam as paredes da nossa igreja? Por que eu deveria me importar com eles? O que eles têm a ver com a minha vida?
E então percebi que eles eram minha família.
Na Igreja Ortodoxa, percebemos que nenhum cristão pode viver uma vida de fé sozinho. Somos parte de uma comunidade - e não apenas de uma comunidade local (embora isso seja extremamente importante). Nossa comunidade, nossa família, está em todo o mundo e ao longo do tempo.
Assim como herdei o temperamento mal-humorado da minha bisavó, aprendi com o amor do meu avô pela terra e tentei emular o dom de ensinar da minha mãe, e também estou ligado à minha família espiritual. Esses santos que vieram antes de mim me fornecem exemplos da fé. Eles oram por mim enquanto eu passo por provações. Eles me animam na minha jornada em direção à salvação.
Depois que percebi o quanto essa comunidade dos santos é realmente importante, precisei descobrir como apresentar meus filhos a essa família.
Ensinando seus filhos sobre os santos.
Na minha experiência, as crianças tendem a ser fascinadas pelos santos. Bebês e crianças adoram beijar ícones, crianças pequenas gostam de livros ilustrados que descrevem suas vidas, e crianças mais velhas e adolescentes encontram inspiração em sua fé. Aqui estão algumas coisas que eu, como mãe e professora da escola da Igreja, achei úteis:
  1. Leve os filhos à Igreja.
Quando estiver na igreja, aponte os ícones dos santos nas paredes e o iconóstase. Explique que os ícones de Cristo e Theotokos estão sempre na frente, assim como os de São João Batista e o santo padroeiro da igreja. Ajude-os a escolher ícones que mostrem festas que eles conhecem. Veja se eles podem encontrar um ícone do santo que eles receberam o nome.
Apontar o hino para o santo que está sendo lembrado naquele dia. Se a sua igreja imprimir uma descrição da vida desse santo no boletim, leve-a para casa e leia-a no jantar. Cante, cante ou leia o hino do santo novamente.
  1. Ouça o recurso "Saint of the Day", Santo do dia.
A Ancient Faith Radio tem um ótimo podcast chamado Saint of the Day . Este breve (geralmente 2-5 minutos) mostra a vida do santo do dia. Eu aprendi muito ouvindo diariamente! Sua família pode ouvir juntos em um horário definido todos os dias - talvez as orações da manhã ou da tarde ou no jantar. Tente fazer perguntas e ter uma discussão depois.
  1. Leia livros infantis.
Há tantos grandes livros ilustrados sobre a vida dos santos. Considere a compra de alguns para adicionar à biblioteca da sua família. Ou talvez outras famílias em sua igreja possam iniciar um programa de troca de livros. Alguns de nossos livros favoritos são:
• São Jorge e o Dragão. • Os corvos de Farne: Um conto de "Saint Cuthbert", São Cuthbert. • A vida de Santa Brigida: abadessa de Kildare. • A história de Maria, a mãe de Deus.
  1. Celebre os Dias dos Nomes.
Faça um grande negócio sobre o dia do nome do seu filho. (Na Igreja Ortodoxa, a cada criança é dado o nome de um santo com quem eles têm uma conexão especial durante toda a sua vida.) Eu escrevi mais extensivamente sobre idéias para celebrar um dia de nome aqui . Ajude seu filho a aprender mais sobre o santo e desenvolver esse relacionamento.
  1. Preencha a casa com ícones.
Cada lar ortodoxo deve ser uma “pequena igreja”. Uma maneira simples e profunda de fazer isso é ter muitos ícones ao redor da casa e no canto do ícone . Deixe seus filhos verem e venerarem os ícones, contar-lhes as histórias daqueles santos, pedir suas orações. Se nossas casas estão cheias de imagens de nossas famílias terrenas, elas não deveriam estar cheias de imagens de nossa família espiritual?
Outros recursos úteis:
-Sylvia em Adventures of a Orthodox Mom tem muitos posts sobre vários santos
Ao nos esforçarmos para criar nossos filhos na fé, vamos apresentá-los aos santos que vieram antes. Então, uma vez que estamos cercados por tão grande nuvem de testemunhas, vamos nos apressar em direção ao prêmio - Cristo Jesus.
Como você ensina seus filhos sobre os santos?
Fonte: http://www.orthodoxmotherhood.com/teaching-your-children-about-the-saints/
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